Magalu (MGLU3) dispara 58%, mas XP prevê prejuízo e alerta para balanços do 3T26

Magalu (MGLU3) dispara 58%, mas XP prevê prejuízo e alerta para balanços do 3T26 A forte valorização das ações brasileiras em outubro pode não encontrar o mesmo entusiasmo nos resultados das empresas. Segundo relatório da XP Investimentos divulgado nesta quarta-feira (21), a temporada de balanços do 3T26 deve ser marcada por lucros praticamente estagnados, apesar do avanço das receitas. A instituição também identificou 17 ações que podem decepcionar os investidores, incluindo Magazine Luiza (MGLU3), Cogna (COGN3) e Grupo SBF (SBFG3). Na cobertura de aproximadamente 140 empresas, a XP projeta crescimento de 7,2% da receita líquida e de 12% do Ebitda, indicador que mede o resultado operacional. O lucro líquido, entretanto, deve avançar apenas 0,5% na comparação anual, uma desaceleração expressiva em relação ao segundo trimestre, quando havia crescido 22,2%. O cenário contrasta com o desempenho recente da Bolsa. Segundo o levantamento, o Ibovespa acumulava valorização de 10,1% em outubro, impulsionado pela melhora das expectativas macroeconômicas. Parte das companhias, porém, pode apresentar resultados abaixo do consenso do mercado. Quais ações podem decepcionar nos balanços do 3T26? O principal alerta da XP está nas empresas que registraram forte valorização na Bolsa, mas cujas projeções de lucro permanecem abaixo das expectativas de outros analistas. O levantamento identificou 17 ações que superaram o Ibovespa em outubro e, ao mesmo tempo, apresentam estimativas de lucro da XP pelo menos 5% inferiores ao consenso da Bloomberg. O caso mais expressivo é o do Magazine Luiza (MGLU3). Enquanto os papéis acumulavam alta de 58,6% no mês, a XP projetava prejuízo líquido de R$ 33 milhões no terceiro trimestre, contrariando o lucro de R$ 31 milhões esperado pelo consenso. A Cogna também aparece entre os destaques. Após valorização de 35,3% em outubro, a companhia tem prejuízo estimado de R$ 14 milhões pela XP, ante expectativa de lucro de R$ 22 milhões no consenso. Confira outras divergências identificadas pela instituição: Empresa Alta em outubro Lucro XP Consenso Magalu (MGLU3) 58,6% -R$ 33 mi R$ 31 mi Cogna (COGN3) 35,3% -R$ 14 mi R$ 22 mi Grupo SBF (SBFG3) 32,6% R$ 49 mi R$ 80 mi Azzas 2154 (AZZA3) 52,5% R$ 97 mi R$ 113 mi Lojas Renner (LREN3) 21,9% R$ 210 mi R$ 237 mi Segundo Fernando Ferreira, estrategista-chefe da XP, e os estrategistas Raphael Figueredo, Caio Souza e Antonio Mello, o risco está no descompasso entre o otimismo dos investidores e o desempenho operacional esperado. “Buscamos ações que subiram com força pelo macro, mas que podem decepcionar nos resultados do 3T26 e corrigir pelo micro”, explicam os analistas no relatório. Petróleo deve sustentar os resultados das empresas Apesar das projeções mais fracas para o conjunto do mercado, o setor de óleo, gás e petroquímicos deve apresentar o melhor desempenho operacional. A XP estima crescimento de 46,6% no Ebitda do segmento, impulsionado pelo petróleo mais caro na comparação anual. O Brent apresentou preço médio 34,2% superior ao registrado no terceiro trimestre de 2025. Entre as companhias, a instituição destaca a PRIO (PRIO3), beneficiada pelo aumento da produção, e a Petrobras (PETR4), que deve apresentar resultados sólidos e dividendos maiores na comparação trimestral. O setor de saúde também aparece entre os destaques positivos, com crescimento projetado de 8,5% no Ebitda. Na direção oposta, mineração e siderurgia devem registrar queda de 20,9% no resultado operacional, pressionadas por custos elevados e preços realizados mais baixos do minério de ferro. Já o varejo deve enfrentar retração de 10,1% no lucro líquido. Segundo a XP, aproximadamente 68% das empresas acompanhadas no segmento devem apresentar contração das margens operacionais. Por que a temporada de resultados preocupa? O histórico recente ajuda a explicar a cautela da XP. Na temporada do segundo trimestre, as ações do Ibovespa registraram queda média de 1,32% no pregão seguinte à divulgação dos resultados. Entre as empresas que decepcionaram as expectativas, o recuo médio chegou a 2,69%. Mesmo aquelas que surpreenderam positivamente apresentaram desvalorização média de 0,12%. Foi a pior reação do mercado às divulgações de balanços dos últimos seis trimestres, segundo a instituição. Com o mercado acionário acumulando ganhos expressivos em outubro, a XP avalia que a próxima temporada pode trazer novas correções para companhias cujos resultados não sustentem as expectativas dos investidores. O contraste entre a valorização recente das ações e o crescimento projetado de apenas 0,5% no lucro líquido coloca a rentabilidade das empresas no centro das atenções para os balanços do 3T26.

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