A expectativa do mercado em relação à política monetária do Federal Reserve mudou drasticamente, com o CME FedWatch indicando 85% de probabilidade de um aumento de 25 pontos-base na reunião de 16 de setembro, um salto significativo de 56% há duas semanas. Essa recalibração é atribuída a um discurso de Warsh em Jackson Hole, que enfatizou o mandato de controle da inflação, e a dados macroeconômicos robustos, incluindo PCE de 3.7% A/A, PPI de 5.4%, petróleo acima de US$107 e o rendimento do Tesouro de 10 anos próximo a 5%, o maior em três anos. Consequentemente, ativos de crescimento e empresas endividadas tendem a ser pressionadas, enquanto bancos e commodities podem se beneficiar. No Brasil, o fortalecimento do dólar (USDBRL) e a pressão sobre setores sensíveis a juros como varejo e construção são esperados. Um paralelo histórico pode ser traçado com o ciclo de aperto do Fed em 2018-2019, que viu o rendimento do Tesouro de 10 anos superar 3% e o S&P 500 corrigir quase 20% no final do ano. O próximo gatilho será a própria decisão do FOMC em 16 de setembro, com o horizonte de médio prazo apontando para um ambiente de juros elevados por um período prolongado.
Nas próximas 2-4 semanas, o mercado deve se manter cauteloso até a decisão do FOMC em 16 de setembro e o comunicado subsequente. Se a alta de 25bp for confirmada, o foco se deslocará para o guidance do Fed sobre futuras taxas e a evolução dos dados de inflação e emprego. Expecta-se que o dólar (USDBRL) permaneça forte, com o Brent testando níveis acima de $107, mantendo a pressão sobre ativos de risco. O pequeno investidor deve evitar tentar 'operar' a decisão, pois o movimento já está precificado. Em vez disso, deve focar em empresas com balanços sólidos e que se beneficiem de um ambiente inflacionário ou de juros mais altos.
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