A busca por abordagens que considerem o organismo em sua complexidade tem aproximado diferentes áreas da saúde e ampliado o interesse por mecanismos fisiológicos ainda em investigação. Essa perspectiva esteve entre os temas do 3º Congresso Brasileiro de Medicina Funcional Integrativa, realizado de 30 de outubro a 1º de novembro, no WTC Golden Hall, em São Paulo. Entre os campos que dialogam com essa abordagem está a Cannabis medicinal, cujos compostos são estudados por sua interação com o Sistema Endocanabinoide e por possíveis aplicações em condições como dor crônica, sintomas associados ao transtorno do espectro autista (TEA) e alterações metabólicas. Ana Gabriela Baptista, CEO da TegraPharma, acompanhou os três dias do encontro. Ao comentar sua participação, destacou a troca entre profissionais e a aproximação de diferentes perspectivas sobre saúde e inovação. "Participar do 3º Congresso Brasileiro de Medicina Funcional Integrativa foi uma oportunidade de fortalecer conexões, acompanhar discussões relevantes sobre saúde e inovação e ampliar o diálogo entre ciência, fisiologia e novas possibilidades terapêuticas", disse. Essa aproximação entre ciência e fisiologia também orienta o trabalho de Ana com a Cannabis medicinal, especialmente no acompanhamento das pesquisas sobre o Sistema Endocanabinoide e a interação dos canabinoides com o organismo. Para explicar o funcionamento do Sistema Endocanabinoide, Ana Gabriela propõe uma comparação simples: a relação entre uma chave e uma fechadura. A analogia ajuda a compreender como esse sistema atua na comunicação entre diferentes partes do organismo. Ele reúne três componentes: os endocanabinoides, substâncias produzidas pelo próprio corpo; os receptores, estruturas presentes nas células com as quais essas moléculas interagem; e as enzimas, que participam da síntese e da degradação dessas substâncias. "É como um sistema de comunicação dentro do organismo. O corpo produz substâncias que interagem com receptores específicos, e enzimas participam da síntese e da degradação dessas moléculas. Esse conjunto de mecanismos contribui para a regulação de diferentes funções fisiológicas", explica. Essa comunicação participa da regulação de funções como a percepção da dor, o sono e o apetite. É nesse mecanismo que se concentra parte do interesse científico pela Cannabis sativa: compostos da planta, chamados fitocanabinoides, como o canabidiol (CBD) e o tetraidrocanabinol (THC), também podem interagir com os receptores do sistema. Para Ana, compreender como essa dinâmica funciona e de que maneira ela pode ser modulada pelos canabinoides é importante para avançar nas pesquisas sobre suas possíveis aplicações terapêuticas. O que as pesquisas investigam sobre fibromialgia e TEA A fibromialgia provoca dores espalhadas pelo corpo e pode vir acompanhada de cansaço, sono ruim e rigidez. Ao falar das pesquisas sobre Cannabis medicinal, Ana Gabriela destaca resultados que apontam redução da dor e melhora desses sintomas, além de avanços na qualidade de vida dos pacientes. Um estudo publicado em 2024 na revista Journal of Clinical Medicine acompanhou 30 pessoas com fibromialgia durante seis meses. Os participantes receberam uma dose diária de Cannabis medicinal. Ao final da pesquisa, a mediana da intensidade da dor, medida em uma escala de zero a dez, caiu de oito para quatro pontos. Os pesquisadores também registraram melhora na saúde física e mental dos participantes. Como o estudo envolveu um grupo pequeno e não teve grupo de comparação, os resultados ainda precisam ser confirmados por pesquisas maiores.
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