Estamos bem posicionados para entregar projeção do ano, diz CEO Vale

O presidente da Vale, Gustavo Pimenta, afirmou, em teleconferência com analistas sobre os resultados da companhia no terceiro trimestre, que a empresa segue bem posicionada para entregar a meta de produção de minério de ferro em 2026. A projeção para este ano é uma produção entre 335 milhões de toneladas e 345 milhões de toneladas. “Continuamos a executar nossos planos com disciplina e excelência”, disse Pimenta, acrescentando que as vendas de minério de ferro no terceiro trimestre continuaram estáveis, apesar da menor produção. Segundo ele, o foco da mineradora não é produzir mais, mas entregar volumes e qualidades corretas. Vale registra queda de 53% no lucro do terceiro trimestre, para US$ 1,25 bi Confira os resultados e indicadores da Vale e das demais companhias de capital aberto no portal Valor Empresas 360 Pimenta também destacou a eficácia da estratégia da empresa para mitigar efeitos globais sobre o frete. “Adotamos uma série de medidas para mitigar impactos”, frisou o executivo, lembrando que as necessidades de frete da Vale para este ano já estão 100% contratadas e protegidas quanto à volatilidade dos preços “spot” do frete. Para as necessidades de 2027, essa proteção já chega a 80%. O presidente da companhia afirmou aos analistas que as ferramentas de proteção utilizadas pela Vale significaram um benefício de US$ 3 bilhões em relação ao preço à vista, mesmo com o aumento relativo global dos fretes à vista. “Preservamos a competitividade”, disse Pimenta, acrescentando que a empresa segue bem posicionada para entregar meta de crescimento acima da média. Recuo do Ebitda O vice-presidente executivo de finanças e relações com investidores da Vale, Marcelo Bacci, afirmou que o recuo do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) reflete pressões como o recuo de 10% do preço realizado do minério de ferro, a apreciação do real e a alta do combustível de navegação (bunker). Entre julho e setembro, o Ebitda ajustado da companhia caiu 24% ante igual período do ano passado, para US$ 3,327 bilhões. O Ebitda pró-forma, que exclui fatores extraordinários, também recuou, 20%, para US$ 3,508 bilhões. O executivo lembrou ainda que os custos C1 — da mina ao porto — e “all-in” devem encerrar 2026 “dentro do esperado”, apesar dos combustíveis estarem mais caros. “Não buscamos prever movimentos do mercado, mas reduzir a volatilidade sobre o fluxo de caixa”, disse Bacci, acrescentando que tem um “hedge” (proteção) de 67% sobre a expectativa de consumo de “bunker” para 2027. Quanto ao câmbio, Bacci ressaltou que a estratégia tradicional é proteger a dívida em reais e os compromissos de reparação pelos acidentes em Mariana e Brumadinho, ambos em Minas Gerais. Bacci também frisou que a geração de caixa sólida e a disciplina na alocação de capital permite que a companhia tenha flexibilidade para executar os planos de negócios. Sobre a dívida líquida expandida, o executivo destacou que o patamar de US$ 16,41 bilhões significou um recuo de 1% ante o terceiro trimestre do ano passado e está dentro da meta de US$ 10 bilhões a US$ 20 bilhões. A dívida líquida expandida engloba também os compromissos para a reparação de Mariana e Brumadinho. Bacci ressaltou que, apesar de pressões externas, a estratégia da mineradora segue sendo aumento de produtividade e iniciativas de eficiência. Decreto de cavidades Pimenta afirmou que a empresa segue esperançosa de que o decreto de cavidades vai sair. A medida é necessária para destravar questões ambientais sobre a exploração de minerais em cavernas, que muitas vezes tem biomas próprios e frágeis. A regulamentação da exploração das cavidades é necessária para ajudar no avanço da exploração de minério de forma sustentável e responsável. Pimenta afirmou na teleconferência que vê oportunidades na regulamentação da atividade nestes locais. “Internamente, trabalhamos independentemente de o decreto de cavidades sair ou não”, disse o executivo. Também na teleconferência, o vice-presidente executivo de operações da Vale, Carlos Medeiros, afirmou que, depois das intercorrências nas operações na Serra Norte, em Carajás (PA), no terceiro trimestre, a empresa já tem aumento de 15% na produção de minério de ferro em outubro. "A operação está normalizada", disse Medeiros. No terceiro trimestre, Serra Norte sofreu com restrições operacionais nas áreas de lavra próximas às zonas de exclusão relacionadas a cavidades e no fundo das cavas. Segundo a empresa, o plano de lavra do trimestre também incluiu maior processamento de minério de contato e maior remoção de estéril, o que afetou temporariamente a produtividade. Presidente da Vale, Gustavo Pimenta Monica Scaramuzzo/Valor

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