B3 (B3SA3) dispara 37% em um mês; ainda dá tempo de comprar? Santander eleva recomendação e fixa novo preço-alvo

Depois de disparar 37% em 30 dias, as ações da B3 (B3SA3) ainda têm espaço para ir além, na avaliação do Santander. O banco elevou a recomendação dos papéis de neutra para outperform (equivalente à compra) e estabeleceu um preço-alvo de R$ 30 para o fim de 2027, o que representa um potencial de valorização de 27%, além de um retorno com dividendos (dividend yield) de 7%. A mudança de visão ocorre em meio à melhora das perspectivas para o mercado de capitais brasileiro. Com os juros de longo prazo em trajetória de queda e a expectativa de continuidade do afrouxamento monetário em 2027, o Santander vê condições mais favoráveis para o aumento dos negócios no mercado de ações — um movimento que pode impulsionar os resultados da operadora da bolsa brasileira. Além disso, apesar da forte alta recente, os analistas avaliam que a B3 continua negociada com desconto de 23% em relação a seus pares globais. Ainda que não esperem que essa diferença desapareça por completo, eles avaliam que ela pode diminuir nos próximos 12 meses. Bolsa mais movimentada pode impulsionar o lucro da B3 Um dos principais motores da tese para a B3 (B3SA3) é o aumento do volume negociado na bolsa brasileira. Em outubro, o volume financeiro médio diário (ADTV, na sigla em inglês) está em aproximadamente R$ 66 bilhões no acumulado do mês, segundo o Santander. A volatilidade associada às eleições contribuiu para elevar a atividade, enquanto a perspectiva de juros menores tende a favorecer o mercado acionário e o apetite por ativos de risco. Com base nos dados operacionais do terceiro trimestre de 2026, o banco projeta lucro líquido ajustado de R$ 1,425 bilhão para a B3 no período, estável em relação ao trimestre anterior e 10% acima do registrado um ano antes. Para 2027, a expectativa é ainda mais otimista. Mesmo considerando uma desaceleração dos volumes em novembro e dezembro, o Santander estima que a atividade média diária alcance R$ 40 bilhões no próximo ano. Nesse cenário, o lucro líquido da B3 pode chegar a R$ 8,2 bilhões em 2027, crescimento de 23% em relação ao ano anterior. Dividendos extraordinários entram na conta Além da perspectiva de crescimento dos lucros, a remuneração dos acionistas é outro ponto favorável à tese. Após mudanças introduzidas pela reforma tributária, a B3 vem utilizando seu estoque de R$ 5,5 bilhões em ativos fiscais (DTAs) para realizar distribuições extraordinárias de juros sobre capital próprio (JCP). Desse total, R$ 3 bilhões já foram distribuídos, restando R$ 2,5 bilhões. O Santander estima que R$ 500 milhões sejam pagos no quarto trimestre de 2026 e que os R$ 2 bilhões restantes sejam distribuídos ao longo de 2027. Esse cronograma, porém, pode ser antecipado caso os lucros avancem mais do que o esperado. Isso porque existem limitações regulatórias para as distribuições vinculadas à rentabilidade da companhia. O cenário muda a partir de 2028, quando a reforma tributária deve trazer ventos contrários à dinâmica de distribuição de capital, segundo o banco. Concorrência da Base ainda não preocupa A perspectiva de entrada de um novo concorrente também voltou ao radar dos investidores. A Base Exchange anunciou a intenção de começar a operar como bolsa de valores no segundo semestre de 2027, reacendendo as discussões sobre a competição no mercado brasileiro. Confira aqui: Custo da Bolsa no Brasil pode ser 20 vezes maior do que em outros países, diz CEO da Base Exchange, futura concorrente da B3 Para o Santander, no entanto, a concorrência não deve produzir efeitos relevantes sobre os resultados da B3 no curto prazo. Embora a entrada de novos participantes possa pressionar preços ao longo do tempo, o banco não prevê um impacto material em um horizonte previsível.

CryptoAlerta — análise de criptomoedas e mercado em tempo real