Intenção de consumo das famílias cai 0,8% em outubro, diz CNC

A Intenção de Consumo das Famílias (ICF), calculada pela Confederação Nacional de Bens, Serviços e Turismo (CNC), caiu 0,8% em outubro ante setembro, para 103,6 pontos, informou nesta segunda-feira (26) a organização. Foi a terceira queda consecutiva do indicador, que atingiu o menor patamar desde janeiro (103,6 pontos). Maior preocupação com mercado de trabalho, bem como menor interesse em compra de itens duráveis, como fogões e geladeiras, levaram ao resultado, informou a CNC. Na comparação com outubro do ano passado, no entanto, o ICF subiu 2,2%. Todos os sete tópicos usados para o cálculo do indicador mostraram queda na passagem de setembro para outubro: emprego atual (-0,7%), renda atual (-0,3%), nível de consumo atual (-1,3%), perspectiva profissional (-0,6%), perspectiva de consumo (-1%), acesso ao crédito (-0,7%), e momento para duráveis (-1,8%). Na comparação com outubro do ano passado, no entanto, o único recuo registrado foi em perspectiva profissional (-7,7%). Os outros tópicos tiveram alta: emprego atual (1,5%), renda atual (0,9%), nível de consumo atual (2%), perspectiva de consumo (3,4%), acesso ao crédito (7%) e momento para duráveis (14%). A retração da intenção de consumo em outubro ante mês anterior ocorreu tanto entre famílias de renda elevada quanto nas de renda mais baixa. No recorte do ICF por faixas de renda, entre aquelas com rendimento de até dez salários mínimos, o indicador caiu 0,8% em outubro, para 101,4 pontos. No grupo com renda superior a dez salários mínimos, a redução também foi de 0,8%, e o indicador chegou a 115,4 pontos. E, nas duas faixas de renda, o tópico “Momento para Compra de Duráveis” foi o principal destaque negativo. Esse tópico recuou 1,7% entre famílias de menor renda, com queda de 2% entre as de maior renda em outubro ante setembro, detalhou a CNC. Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, os resultados evidenciam que o “bolso do consumidor” poderia estar mais bem preparado do que está. Mas mostrou-se otimista com o desempenho do varejo, no curto prazo, devido às datas sazonais historicamente boas para vendas no comércio, que ainda estão por vir. “O mês do Dia das Crianças é uma espécie de prévia da Black Friday e confraternizações de fim de ano, que mobilizam consumidores em todo o País”, lembrou. No entanto, Tadros admitiu que ainda há dúvidas sobre o patamar de consumo nos próximos meses. “Ainda que a massa salarial e a taxa de ocupação tenham estabilizado em bons patamares, há incertezas no horizonte do consumidor, tanto internas quanto externas”, avalia. “Parcelas de dívidas e contas em atraso são o outro lado desta equação que ainda se inclina para a redução no poder de compra do brasileiro”, complementou ele. Rovena Rosa/Agência Brasil

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