O presidente da França, Emmanuel Macron, prometeu nesta quarta-feira (21) impedir que a violência do último fim de semana se repita durante os protestos previstos para os próximos dias e classificou como "estúpidos" e "inaceitáveis" os comentários de alguns líderes estrangeiros sobre os distúrbios. O principal sindicato estudantil da França, a UNEF, convocou novas manifestações para sábado, enquanto o movimento dos Coletes Amarelos, que surgiu como uma poderosa força de contestação ao sistema político em 2018, apresentou planos para uma marcha pelo centro de Paris no mesmo dia. Os esforços para aliviar as tensões sociais mostraram poucos sinais de avanço, com os sindicatos prometendo manter uma greve geral em 5 de novembro para protestar contra o alto custo de vida e os cortes nos serviços públicos, após negociações inconclusivas com o governo de Macron. A França foi atingida por alguns dos piores episódios de violência urbana dos últimos anos em 17 de outubro, à margem de manifestações realizadas em todo o país, chocando a população tanto pela dimensão dos distúrbios quanto pela aparente incapacidade da polícia de contê-los. Macron afirmou que se reunirá com autoridades de inteligência e ministros de alto escalão na quinta-feira para discutir a crise. "Aqueles que quiserem provocar desordem nos centros das cidades no próximo sábado serão impedidos de fazê-lo", disse Macron a jornalistas durante uma visita ao Catar, onde busca acordos de energia enquanto a França enfrenta a alta dos custos dos combustíveis. Ele também acusou alguns líderes estrangeiros de disseminar desinformação sobre o que aconteceu. O presidente americano, Donald Trump, em particular, atribuiu a violência aos imigrantes e ao islamismo radical, sem apresentar provas, e afirmou que os distúrbios representavam um alerta para os americanos. Questionado se estava se referindo a Trump, Macron respondeu: "Entre outros", acrescentando que alguns políticos estrangeiros estavam tentando obter ganhos políticos às custas da França. "Houve desinformação estrangeira depois dos acontecimentos, o que provocou comentários tão inaceitáveis quanto estúpidos de muitas pessoas, incluindo líderes estrangeiros", afirmou. Um manifestante segura um cartaz com uma foto do presidente francês, Emmanuel Macron, e uma guilhotina diante de um escritório de turismo em chamas AP/Laurent Cipriani Custos de financiamento sobem Evidenciando a preocupação dos investidores com a situação, os custos de financiamento do governo francês dispararam nesta semana, levando os rendimentos dos títulos públicos de referência com vencimento em dez anos a 5%, o nível mais alto desde julho de 2002. Analistas afirmaram que o movimento refletia temores de que os distúrbios pudessem complicar os esforços do governo para recuperar as finanças públicas, já pressionadas por dificuldades orçamentárias crescentes. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu reuniu-se com líderes sindicais na tentativa de amenizar a crise, mas não houve sinais de avanço, com as entidades trabalhistas afirmando que não receberam nenhuma resposta concreta às suas reivindicações sobre salários e serviços públicos. "Não houve absolutamente nenhuma consideração por nossas reivindicações", disse Sophie Binet, líder da CGT, central sindical de esquerda. "Chegou a hora de levar a mobilização a um novo patamar", acrescentou, confirmando a greve nacional do próximo mês. Os protestos refletem um mal-estar mais profundo na França, onde os altos custos da energia, a pressão sobre os orçamentos familiares e as preocupações com a situação dos serviços públicos alimentam um sentimento crescente de frustração entre trabalhadores e jovens. Uma segunda noite consecutiva de toques de recolher locais transcorreu sem incidentes graves nas áreas atingidas pela violência, proporcionando algum alívio ao governo enquanto ele se preparava para novas manifestações. Ministros do governo prometeram uma operação de segurança amplamente reforçada para o próximo sábado, depois de reconhecerem falhas na resposta inicial, com a expectativa de mobilização de militares ao lado de contingentes policiais adicionais. O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, afirmou nesta quarta-feira que cerca de 2.500 pessoas foram detidas após os protestos de 17 de outubro, acrescentando que 917 suspeitos foram encaminhados para responder a processos judiciais e 174 pessoas já foram presas. Uma pessoa caminha enquanto chamas se alastram durante distúrbios civis, um dia após um dia nacional de manifestações contra o custo de vida e o aumento dos preços dos combustíveis, em Paris, França, 18 de outubro de 2026 REUTERS/Abdul Saboor TPX IMAGES OF THE DAY Extrema direita e esquerda radical avançam Os distúrbios provocaram uma reação política às vésperas das eleições presidenciais do próximo ano, com candidatos da extrema direita e da esquerda radical apresentando bom desempenho nas pesquisas. "O governo perdeu o controle de tudo", disse a líder da extrema direita Marine Le Pen à rádio Franceinfo. O partido de esquerda radical França Insubmissa (LFI), que negou acusações de ministros de ter alimentado os distúrbios, criticou os planos de mobilizar militares nas ruas de Paris. "Os manifestantes não são inimigos internos. O governo francês não deve entrar em guerra contra seu próprio povo", afirmou a bancada parlamentar do LFI em comunicado. Protestos em outros países europeus aumentaram as preocupações de que a insatisfação com o padrão de vida possa se espalhar em um momento em que muitas nações enfrentam dificuldades orçamentárias. Na Grécia, milhares de estudantes e professores foram às ruas nesta quarta-feira para exigir mais recursos públicos para a educação, melhores instalações e salas de aula menos lotadas, ecoando as reivindicações de manifestantes em outros países europeus. Enquanto isso, a Itália aprovou na terça-feira uma série de medidas de segurança, incluindo a criação de um novo crime de participação violenta em manifestações e o endurecimento das penas para envolvidos em distúrbios, em resposta à turbulência do último fim de semana.
CryptoAlerta — análise de criptomoedas e mercado em tempo real