Vitória de Lula afasta ‘ameaça imediata’ à agenda socioambiental, diz Observatório do Clima

O Observatório do Clima, rede da sociedade civil brasileira que reúne 172 integrantes, entre organizações socioambientais, institutos de pesquisa e movimentos sociais, avaliou que a vitória do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva representa o afastamento da "ameaça imediata" à democracia brasileira e às políticas de meio ambiente e clima. Mas alertou que o próximo governo enfrentará um Congresso majoritariamente contrário à agenda socioambiental e um sistema institucional fragilizado. Em análise divulgada após o resultado das eleições, a rede afirma que a reeleição de Lula foi resultado da mobilização popular e preservou as condições para a continuidade das políticas climáticas e ambientais implementadas nos últimos quatro anos. "O resultado das urnas afasta a ameaça imediata contra a democracia e, na agenda socioambiental, contra o clima, a floresta, os povos e comunidades tradicionais, as instituições e as políticas públicas de meio ambiente. O Brasil precisa enxergar a questão climática e o patrimônio ambiental brasileiro como oportunidades de alavancar o crescimento econômico e diminuir desigualdades sociais", informa o documento. Apesar da avaliação positiva sobre o resultado das urnas, o Observatório do Clima destaca que o cenário político seguirá desafiador. Segundo a entidade, Lula inicia o novo mandato com o sistema de freios e contrapesos enfraquecido, o Supremo Tribunal Federal desgastado e um Legislativo dominado por parlamentares que se opõem às pautas ambiental e climática. "O presidencialismo de coalizão moldado no pós-1988 foi sepultado. Para os próximos quatro anos, este cenário piorou: sete em cada dez deputados e senadores que vão compor a próxima Legislatura votam contra a agenda de clima e meio ambiente. É fundamental que o Executivo reforce sua atuação no Parlamento e amplie alianças", diz a análise. A organização também defende a continuidade das políticas de combate ao desmatamento, redução das emissões de gases de efeito estufa e fortalecimento da presença brasileira nas negociações internacionais sobre clima e biodiversidade. Ao mesmo tempo, ressalta que manterá uma atuação independente em relação ao governo. "A sociedade civil está pronta para continuar colaborando com o governo rumo a um Brasil descarbonizado, justo, próspero e sustentável. Essa disposição para o diálogo e colaboração, no entanto, não nos afastará dos compromissos de cobrar, criticar e pressionar o governo sempre que necessário. O contraditório é parte fundamental da democracia e também condição para o avanço da agenda climática", conclui o Observatório do Clima. catazul/Pixabay

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