Despesas de estados e municípios no Brasil cresceram 4,3% e 9,3% acima da inflação, respectivamente, no primeiro semestre do ano, superando o crescimento das receitas correntes de 3,1% e 8%. Esta divergência fiscal, em ano eleitoral onde Lula busca um quarto mandato, eleva a preocupação com a disciplina fiscal subnacional, implicando em maior endividamento e potencial pressão inflacionária. A percepção de risco fiscal pode desvalorizar o BRL, pressionar para baixo o BOVA11, e impactar negativamente bancos como ITUB4 e empresas sensíveis a juros como MGLU3 e CYRE3. Historicamente, períodos pré-eleitorais no Brasil, como em 2014, mostraram forte expansão de gastos públicos que culminaram em deterioração fiscal e volatilidade de mercado, com o país registrando um déficit primário de 0,6% do PIB. Os próximos relatórios fiscais do Tesouro Nacional e a evolução das negociações políticas sobre o arcabouço fiscal serão cruciais para redefinir as expectativas. No médio prazo, a sustentabilidade fiscal dos entes subnacionais será determinante para a trajetória da taxa de juros e a atratividade do investimento estrangeiro no país.
Nos próximos 2-4 meses, a percepção de risco fiscal deve persistir, com o mercado monitorando a execução orçamentária do segundo semestre e os desdobramentos da agenda eleitoral. O Copom provavelmente manterá uma postura vigilante, e qualquer sinal de descontrole fiscal pode adiar cortes de juros, mantendo o BRL sob pressão e o BOVA11 volátil. Um gatilho para reavaliação seria um compromisso fiscal claro e crível por parte de governos subnacionais.
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