As ações do Bradesco (BBDC4) sofreram um novo golpe por parte dos analistas uma vez que, após o Itaú BBA rebaixar a recomendação do banco de compra para neutra nesta semana, o JPMorgan também cortou sua classificação para neutra abandonando a recomendação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra). Além disso, reduziu o preço-alvo para dezembro de 2027 de R$ 26 para R$ 18, um corte de quase 31%. O novo rebaixamento reforça uma visão cada vez mais cautelosa do mercado para os bancos brasileiros após as eleições e ocorre em meio à expectativa de um ambiente macroeconômico mais difícil em 2027, marcado por menor crescimento do crédito, juros elevados e deterioração da qualidade dos ativos. Na véspera, o Itaú BBA havia alertado que “a combinação de atividade econômica mais fraca, juros mais elevados e aumento das provisões para perdas com crédito deve limitar os avanços de rentabilidade observados nos últimos trimestres”. Na ocasião, o banco também rebaixou BBDC4 para market perform (equivalente à neutra) e reduziu seu preço-alvo para R$ 20. Leia também “Vai ser diferente”: como investir durante o Lula 4, segundo a XP Para Rodrigo Sgavioli, investir não será mais difícil, mas irá requerer mais carrego e prazos curtos na renda fixa, além de atuação tática por parte do investidor Agora, o JPMorgan foi além ao afirmar que o Bradesco pode enfrentar uma interrupção em sua trajetória gradual de melhora de rentabilidade. O banco estima que o retorno sobre patrimônio (ROE) recue de cerca de 15% em 2026 para 14% em 2027, enquanto o crescimento do lucro líquido seria de apenas 2% no período, para aproximadamente R$ 27,9 bilhões. Crédito deve perder força Segundo o JPMorgan, um dos principais problemas para o Bradesco será a desaceleração das linhas que atualmente sustentam a expansão da carteira. Os analistas esperam perda de fôlego do crédito consignado privado, da carteira para pequenas e médias empresas apoiada por programas governamentais (FGI/FGO), do financiamento de veículos e também dos empréstimos para grandes companhias. Como resultado, a projeção é que o crescimento da carteira recue para cerca de 6% nos próximos trimestres. Leia também BBA fica mais conservador com Bolsa no Brasil, mas foca em qualidade com 10 ações Banco atualiza carteira recomendada após sell-off pós-eleições, reforça posição em utilities, construtoras e exportadoras e alerta para cenário macro mais desafiador em 2027 A instituição também prevê pressão contínua sobre a margem financeira com clientes (NII), diante de menor crescimento dos volumes e compressão dos spreads decorrente de uma estratégia mais conservadora de crédito. O relatório incorpora uma redução de 10 pontos-base na margem financeira dos clientes. Inadimplência e juros mais altos preocupam Outra preocupação relevante é a qualidade dos ativos, com o JPMorgan afirmando esperar uma deterioração mais acentuada tanto nas carteiras de pessoas físicas quanto nas de empresas em 2027, o que tende a elevar o custo do risco e as despesas com provisões. O relatório destaca que os indicadores de inadimplência das pessoas físicas seguem em trajetória de alta, mesmo quando ajustados para as mudanças recentes nas políticas de baixa contábil de créditos vencidos. Além disso, o banco avalia que a inclinação mais forte da curva de juros pode prejudicar as receitas financeiras de tesouraria e gerar impactos negativos sobre patrimônio e capital regulatório. Segundo o relatório, a administração do Bradesco indicou que cada aumento de 100 pontos-base nos juros pode representar perdas próximas de R$ 900 milhões relacionadas à gestão de ativos e passivos (ALM). Leia também Ibovespa Hoje Ao Vivo: Confira o que movimenta Bolsa, Dólar e Juros nesta quinta Índices futuros dos EUA recuam em meio a novos balanços Embora reconheça que as ações do Bradesco negociam perto de 0,9 vez seu valor patrimonial, patamar considerado barato em termos históricos, o JPMorgan avalia que o desconto não é suficiente para justificar uma recomendação mais otimista enquanto não houver sinais mais claros de retomada da rentabilidade. O banco afirma que sua preferência entre os grandes bancos brasileiros continua sendo o Itaú Unibanco (ITUB4), considerado o nome mais preparado para navegar em um ambiente econômico mais difícil e potencialmente ganhar participação de mercado diante das dificuldades enfrentadas pelos concorrentes. The post Bradesco (BBDC4) sofre segundo rebaixamento e JPMorgan corta preço-alvo em quase 30% appeared first on InfoMoney.
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