Merz pede união no governo e alerta para ações da Rússia e avanço do extremismo

O primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, pediu união entre os membros da coalizão de seu governo, afirmando que a Alemanha está diante de ameaças crescentes. O chanceler citou novamente o que considera esforços da Rússia para desestabilizar o país e fez menção também a forças políticas extremistas. Num congresso da União Social Cristã (CSU), partido bávaro aliado de sua conservadora União Democrata Cristã (CDU), Merz disse que a Alemanha enfrenta “desafios extraordinariamente sérios”. “Como podemos proteger nossa liberdade e nossa segurança na Europa diante das crescentes ameaças de extremistas internos e de potências estrangeiras?”, questionou, acrescentando que a Rússia busca “desestabilizar a Alemanha diariamente”. As relações entre Berlim e Moscou chegaram ao nível mais baixo desde a Guerra Fria após a invasão russa da Ucrânia, em 2022, mas a Rússia rejeita as acusações de que conduz uma campanha de guerra híbrida contra a Alemanha e outros países europeus. As declarações de Merz ocorrem após semanas de tensão na coalizão governista, depois de duras derrotas em eleições regionais no leste da Alemanha, onde a Alternativa para a Alemanha (AfD), de extrema direita, ficou em primeiro lugar em dois Estados, e o partido A Esquerda, de extrema esquerda, foi o mais votado em Berlim. Os índices de aprovação de Merz caíram para mínimas recordes, enquanto surgiram tensões tanto entre os integrantes da coalizão quanto entre a CDU e a CSU. Os dois partidos conservadores aliados têm um longo histórico de divergências, mas, em geral, conseguiram superá-las. Neste sábado, os delegados aplaudiram efusivamente quando Merz mencionou Ilse Aigner, política da CSU indicada pelo partido para suceder o presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, que deixará o cargo no próximo ano. Até agora, a CDU não declarou apoio a Aigner, e fontes do partido dizem que a legenda ainda não desistiu de apresentar um candidato próprio ao cargo de chefe de Estado, cujas funções são predominantemente cerimoniais. Merz, que entrou no salão do congresso ao som de uma banda de metais bávara tocando “The Eye of the Tiger”, elogiou os ministros da CSU que integram o governo e homenageou o líder do partido, Markus Soeder. Mas reiterou sua rejeição aos apelos de alguns conservadores para buscar formas de cooperação com a AfD, que lidera as pesquisas nacionais de intenção de voto, afirmando que qualquer político que vote junto com o partido “não tem lugar em nossa União”. Ele também pediu ao Partido Social-Democrata (SPD) e aos Verdes que não formem uma coalizão em Berlim com o partido A Esquerda, que acusou de tolerar o antissemitismo entre seus integrantes. O partido nega a existência de antissemitismo sistêmico em suas fileiras. Merz disse que reformas rápidas nos sistemas previdenciário, tributário e de assistência social da Alemanha são essenciais para reativar a economia e restaurar a confiança nas instituições públicas.

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