O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) criticou nesta quinta-feira (22) o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, por impor condições à abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. Segundo Alckmin, o adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estaria criando obstáculos para divulgar as informações, após o desafio feito pelo petista durante o debate da Band, no domingo (18). "Flávio Bolsonaro fez 19 exigências, não quer abrir sigilo nenhum. Tá dando desculpa para não quebrar o sigilo", afirmou Alckmin. "Quem é presidente da República tem o dever de não ter sigilo público. Quem não quiser prestar contas, esclarecer, vai para o setor privado", acrescentou. Questionado se Lula divulgaria seus sigilos mesmo sem um acordo com Flávio Bolsonaro, Alckmin afirmou que ainda precisaria conversar com o presidente sobre o assunto. As declarações foram dadas em entrevista coletiva antes do início do ato da "Frente Ampla pela Democracia e pela Soberania", organizado pela campanha de Lula na Casa de Portugal, na capital paulista. As críticas do vice-presidente ocorrem no mesmo dia em que as campanhas de Lula e Flávio assinaram um termo autorizando a abertura total e simultânea dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dos dois candidatos. O acordo foi firmado durante reunião das equipes com o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), relator do pedido apresentado pelo petista. Pelo documento, Lula concordou em autorizar a divulgação de seus dados, dos familiares indicados na petição inicial e do Instituto Lula, além de aceitar as condições apresentadas pela campanha adversária. Flávio, por sua vez, autorizou a abertura dos próprios sigilos, dos familiares e de empresas das quais é sócio ou administrador, incluindo informações sobre contas no Brasil e no exterior e mensagens trocadas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O termo estabelece que as campanhas devem apresentar até as 23h59 desta quinta-feira as autorizações necessárias, inclusive de terceiros, para viabilizar a divulgação das informações. A assinatura do acordo, no entanto, não significa que os dados serão tornados públicos imediatamente, já que ainda são necessárias as autorizações das pessoas envolvidas e providências judiciais para a obtenção dos registros. A disputa em torno dos sigilos começou no debate da Band, quando Lula desafiou Flávio a divulgar informações bancárias, fiscais e telefônicas para rebater suspeitas de corrupção. O senador aceitou o desafio, mas apresentou condições adicionais, como a divulgação de gastos com cartões corporativos da Presidência e de informações relacionadas ao ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola. A campanha petista, por sua vez, exigiu a inclusão de dados relacionados ao advogado Willer Tomaz, ligado a Flávio e investigado pela Polícia Federal (PF) no mesmo inquérito que envolve o senador. O vice-presidente Geraldo Alckmin, candidato à reeleição Brenno Carvalho/Agência O Globo
CryptoAlerta — análise de criptomoedas e mercado em tempo real