A Bolsa brasileira passou por uma acentuada correção em outubro, seguindo o segundo turno das eleições, o que levou a uma rápida reconfiguração nas posições dos investidores. De acordo com um relatório do Itaú BBA, houve um claro favorecimento por empresas exportadoras, pagadoras de dividendos e companhias de caráter mais defensivo. Em contrapartida, ações ligadas ao ciclo doméstico e de maior risco foram as mais afetadas pela aversão ao risco. As cestas de alto dividend yield, exportadoras e beneficiárias do agronegócio superaram o Ibovespa, que caiu 9,9% no período. A carteira de dividendos recuou 2,6%, enquanto as de exportadoras e agronegócio caíram 3,2% e 3%, respectivamente. As maiores perdas foram observadas nas carteiras de high beta e papéis mais vendidos a descoberto, com quedas de 30,6% e 21,4%. Fundos globais de ações de mercados emergentes da Copley Fund Research registraram um investimento recorde de US$42,4 bilhões no Brasil no início de outubro. Entre as exportadoras destacadas pelo Itaú BBA estão PETR4, VALE3, WEGE3, EMBJ3, SUZB3, PRIO3, GGBR4, JBSS32 e KLBN11. O grupo de estatais, que inclui PETR4, BBAS3, BBSE3, CXSE3, CMIG4 e SAPR11, apesar de uma queda de 4,1% em outubro, acumula valorização de 17,8% em 2026 e mais de 230% desde 2020.
O desfecho da reorientação dos investidores dependerá da evolução das perspectivas fiscais e macroeconômicas no Brasil, especialmente após as eleições. A decisão da taxa Selic pelo Copom em 04/11/2026, a partir das 18h30, será um evento chave para calibrar as expectativas sobre os juros reais e o fluxo de capital. O comportamento futuro da taxa de câmbio também influenciará diretamente a performance das exportadoras.
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