A virada histórica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desencadeou uma liquidação de ativos brasileiros no exterior já na noite deste domingo, que se intensifica na manhã desta segunda-feira. Os recibos de ações de empresas brasileiras e o EWZ, principal fundo de ações brasileiras listado em Nova York, despencam e sinalizam uma abertura de fortes perdas na bolsa, com risco de acionamento do “circuit breaker”, mecanismo que interrompe as negociações após quedas expressivas. Nos demais ativos locais, a expectativa é de disparada do dólar e dos juros futuros. O petista conquistou 51,79% dos votos, ou 64,2 milhões, um salto de 10,3 milhões em relação ao primeiro turno, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 48,2%, ou 59,8 milhões de votos, um acréscimo de 3,7 milhões. O resultado impõe um duro revés às apostas da maioria dos bancos, que viam na alternância de poder a possibilidade de reformas expressivas na política fiscal. Diante do choque eleitoral, o J.P. Morgan espera que as perdas na bolsa brasileira levem ao acionamento do “circuit breaker”. O mecanismo interrompe as negociações por 30 minutos quando a queda do Ibovespa atinge 10%. Se o recuo chegar a 15%, há uma nova paralisação, de uma hora. Uma perda de 20% permite à B3 suspender as negociações pelo restante do dia. “Nossa elevação da recomendação para o Brasil a ‘overweight’ (equivalente à compra), em 5 de outubro, tinha como premissa uma mudança na condução das políticas públicas. No entanto, diante do resultado eleitoral, agora parece pouco provável que a política econômica sofra alterações significativas daqui em diante”, dizem os profissionais do banco americano. A surpresa nas urnas já levou o J.P. Morgan a rebaixar as recomendações para o real e os juros locais de “overweight” para “marketweight” (exposição em linha com a média do índice de referência). Neste contexto, os ativos brasileiros no exterior sofrem perdas expressivas, em forte contraste com a euforia após o resultado do primeiro turno. Por volta das 8h, o EWZ, principal fundo de índice de ações brasileiras, despencava 26,02% no pré-mercado, praticamente devolvendo toda a alta acumulada no ano. No mesmo horário, os recibos de ações (ADRs) da Petrobras negociados em Nova York tombavam 22,84%, enquanto os do Itaú Unibanco perdiam 25,65%, ao passo que os da Vale tinham uma queda mais contida, de 2,98%. Já as ações da XP, negociadas na Nasdaq, desabavam 47,39%, enquanto as do Mercado Livre, que concentra grande parte de suas operações no Brasil, recuavam 8,98%. É importante notar, porém que o movimento pode ser amplificado pelo desmonte das posições em opções de compra (“calls”) montadas após o primeiro turno, acentuando as perdas iniciais da bolsa. Após essa pressão, os preços podem se estabilizar ou recuperar parte das perdas nos próximos dias, à medida que eventuais excessos sejam corrigidos.
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