A varejista de moda online Shein planeja sua estreia no mercado de ações em 1º de setembro, buscando uma avaliação de quase US$27 bilhões. Este valor representa um corte substancial de ~73% em relação à avaliação de US$100 bilhões atingida em uma rodada de financiamento privado em 2022. O mecanismo econômico subjacente é a crescente exigência do mercado público por lucratividade e modelos de negócios sustentáveis, contrastando com as altas expectativas de crescimento do capital privado. As consequências para ativos incluem uma potencial pressão sobre as avaliações de outras empresas de e-commerce e varejo, como AMZN, MGLU3 e BABA, devido à maior concorrência e ao ajuste das expectativas de múltiplos. Para o investidor brasileiro, o cenário indica um aumento da concorrência para players locais, como MGLU3, e uma possível reavaliação de múltiplos para empresas de crescimento na B3. Um paralelo histórico pode ser traçado com o 'reset' de valuations de tecnologia em 2022-2023, onde muitas empresas privadas viram seus valores de mercado público reduzidos significativamente em relação aos picos privados. O próximo gatilho a monitorar será a recepção do mercado ao IPO da Shein e seus primeiros resultados após a listagem. No horizonte de médio prazo, a tendência é de maior escrutínio sobre o crescimento orgânico e a capacidade de geração de caixa das empresas de e-commerce globalmente.
Nas próximas 2-4 semanas, a pressão sobre as avaliações de e-commerce deve persistir até a precificação do IPO da Shein e a reação inicial do mercado. Se o IPO for bem-sucedido apesar do valuation menor, pode haver um alívio temporário. No médio prazo (próximos 3-6 meses), o foco será na capacidade da Shein de entregar lucratividade e crescimento sustentável, o que continuará a influenciar a percepção de risco para concorrentes globais e locais.
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