Após o 1º turno das eleições presidenciais, a queda do risco no Brasil pode abrir espaço para crédito mais barato às empresas e melhorar a qualidade de parte dos recebíveis que abastecem os FIDCs, caso a reprecificação observada no mercado na segunda-feira (19) se sustente. Essa é a leitura da Azumi Investimentos, instituição com mais de R$ 3,4 bilhões sob gestão e 136 fundos administrados, que também vê um segundo efeito para a indústria: juros menores tendem a reduzir a remuneração nominal das estruturas indexadas ao CDI, aumentando a importância da qualidade do crédito na composição dos retornos. “Para os FIDCs, o efeito mais relevante de uma mudança na percepção de risco do país aparece no crédito. Se uma empresa consegue financiar sua operação a um custo menor, reduz sua despesa financeira, ganha fôlego de caixa e pode melhorar sua capacidade de honrar os recebíveis que estão dentro dessas estruturas. Por outro lado, com juros menores, o investidor também passa a olhar ainda mais para o spread e para a qualidade de cada operação”, afirma Edgar Araujo, CEO da Azumi Investimentos. A avaliação ocorre depois de uma forte reprecificação dos ativos brasileiros, após Flávio Bolsonaro terminar o 1º turno à frente de Luiz Inácio Lula da Silva e aumentar a percepção do mercado sobre a possibilidade de alternância de poder no segundo turno. O Ibovespa chegou a avançar mais de 9%, superando os 209 mil pontos, enquanto o dólar caiu mais de 4%, chegando abaixo de R$ 5. Na curva de juros, alguns vencimentos fecharam perto de 100 pontos-base, refletindo uma redução do prêmio exigido pelos investidores diante das novas expectativas para o cenário fiscal e econômico. “Bolsa, dólar e juros estão contando a mesma história: o mercado passou a exigir um prêmio menor para carregar risco brasileiro. Para o FIDC, porém, precisamos observar se essa percepção vai se transformar efetivamente em menor custo de capital e melhora dos balanços das empresas. É aí que o movimento financeiro começa a chegar à economia real e às carteiras de crédito”, explica Araujo. O impacto não será igual para toda a indústria. Empresas mais endividadas ou dependentes de financiamento podem sentir com maior intensidade uma eventual redução do custo de capital, enquanto companhias expostas a insumos importados ou obrigações em moeda estrangeira também podem se beneficiar de um real mais valorizado. Por isso, mais do que antecipar se uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro será positiva ou negativa para os FIDCs, a Azumi acompanha como a mudança das expectativas eleitorais altera juros, câmbio, condições de financiamento e capacidade de pagamento das empresas. Se a atual redução dos prêmios de risco permanecer depois do segundo turno e for acompanhada por mudanças concretas no cenário fiscal e monetário, o efeito poderá chegar gradualmente às carteiras, mudando tanto o custo do crédito quanto a relação entre risco e retorno dos fundos. Fonte: FIDCs: vitória de Flávio Bolsonaro pode transformar queda dos juros em crédito mais barato para empresas Veja mais notícias sobre Bitcoin. Siga o Livecoins no Facebook, Twitter, Instagram e YouTube.
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