Justiça libera documentos sobre morte de Tancredo Neves

Mais de quatro décadas após a morte de Tancredo Neves, a família do presidente eleito em 1985 obteve na Justiça o direito de acessar documentos que podem esclarecer as circunstâncias de sua internação e os procedimentos médicos realizados antes de sua morte. A decisão, tomada por unanimidade pela 13ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF‑1), determinou que o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM‑DF) forneçam registros relacionados ao atendimento do político. Entre os documentos solicitados estão prontuários, relatórios médicos e informações sobre processos ético‑profissionais envolvendo integrantes da equipe responsável pelo tratamento. O objetivo é investigar suspeitas de erro médico levantadas pela família, especialmente quanto à necessidade das intervenções cirúrgicas e às complicações que se seguiram. Até hoje, essas hipóteses não foram conclusivamente comprovadas. A decisão judicial garante acesso aos documentos, mas não estabelece que houve negligência ou falha no atendimento. Uma das principais dúvidas envolve a cirurgia de emergência realizada em Tancredo na véspera de sua posse, prevista para 15 de março de 1985. O presidente eleito havia sido internado em Brasília com um quadro abdominal grave, inicialmente associado a uma inflamação intestinal. Nas semanas seguintes, passou por sucessivos procedimentos e apresentou complicações que culminaram em sua morte, em 21 de abril.

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