André Esteves (BTG): Títulos isentos no Brasil são 'completamente absurdos'

André Esteves, presidente do conselho de administração e sócio sênior do BTG Pactual, afirmou que o volume de títulos isentos no Brasil é "completamente absurdo", defendendo o equilíbrio fiscal como uma responsabilidade social e não partidária. Ele argumentou que o ajuste fiscal necessário é "fácil de fazer" e desprovido de ideologia, durante um painel no evento Esfera Brasil. A possível revisão ou eliminação da isenção tributária para títulos como LCIs, LCAs, CRIs e CRAs aumentaria a base tributável do governo, melhorando o balanço fiscal e potencialmente reduzindo o custo de captação da dívida pública. Historicamente, momentos de busca por ajuste fiscal no Brasil, como em 2015, geraram volatilidade e reavaliação de ativos de renda fixa e variável, com o Ibovespa caindo aproximadamente 13% naquele ano devido à incerteza. O próximo gatilho a monitorar é a decisão do COPOM em 17 de setembro de 2026 e o avanço das discussões sobre a reforma tributária no Congresso. No médio prazo (6-12 meses), a concretização de medidas de ajuste fiscal, incluindo a revisão de isenções, pode gerar um re-rating positivo para ativos brasileiros, embora a incerteza política permaneça um fator de risco.

Análise

Nas próximas 2-4 semanas, o debate sobre a reforma tributária e a revisão de isenções deve se intensificar no Congresso, com o COPOM em 2026-09-17 como próximo gatilho para a Selic. A materialização de um ajuste fiscal robusto poderia atrair capital estrangeiro e permitir o fortalecimento do Real, com o USDBRL testando 5.10. No médio prazo (6-12 meses), a incerteza política em torno dessas reformas permanece um fator de risco significativo, podendo gerar volatilidade se não houver progresso claro.

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