Incertezas globais e domésticas definem semana nos mercados

Os mercados globais iniciaram a semana sem uma direção definida, marcados por incertezas geopolíticas, questionamentos sobre a sustentabilidade dos investimentos em inteligência artificial e a expectativa por novos resultados corporativos. Nos Estados Unidos, os futuros operaram em alta, com o Nasdaq 100 em destaque, enquanto as bolsas europeias registraram recuo em função de tensões políticas e fiscais na França. O Federal Reserve entrou em seu período de silêncio antes da reunião de 27 e 28 de outubro, elevando a importância dos próximos dados econômicos e balanços empresariais para as expectativas de juros. Na China, o Produto Interno Bruto (PIB) expandiu 4,5% no terceiro trimestre, superando os 4,3% do período anterior, principalmente pela forte demanda externa por produtos de tecnologia. Contudo, a recuperação econômica chinesa mostra-se desigual, com a produção industrial crescendo 5,5% em 12 meses em setembro, mas as vendas no varejo avançando apenas 1,1%, indicando fraqueza no consumo interno. No Brasil, o Ibovespa encerrou a última sessão com alta de 0,54%, atingindo 205.430 pontos, porém acumulou uma queda semanal de 1,74%. O dólar, por sua vez, recuou 0,28% na sessão, para R$ 5,0728, mas registrou valorização de 1,77% frente ao real na semana. A reta final das eleições continua a influenciar os ativos brasileiros, com as expectativas sobre a condução da política fiscal a partir de 2027 sendo um fator determinante. Levantamentos recentes, como PoderData/Aya e AtlasIntel/Bloomberg, mostraram disputas acirradas entre os candidatos Flávio e Lula. Além do resultado eleitoral, a percepção de sustentabilidade fiscal será crucial para os movimentos da Bolsa, câmbio e juros no país. O setor de tecnologia americano encerrou a semana sob forte pressão, com o Nasdaq acumulando queda de 4,48%, enquanto o S&P 500 recuou 1,95%. Essa pressão se deve à persistência das pressões inflacionárias e a crescentes dúvidas sobre as avaliações de empresas ligadas à inteligência artificial. O déficit do governo federal dos EUA alcançou aproximadamente US$ 2 trilhões no último ano fiscal, com despesas de US$ 7,4 trilhões e arrecadação de US$ 5,4 trilhões. A PIMCO alertou para a possibilidade de os juros dos Treasuries de dez anos atingirem 6%, patamar não visto desde 2000, em um cenário de endividamento elevado e juros estruturalmente mais altos que limitam a capacidade de resposta dos governos. A reorganização das cadeias globais de suprimentos, impulsionada pelas tensões comerciais EUA-China, beneficia economias como México, Vietnã e Índia.

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