Inadimplência bancária no Brasil persistirá em 2026, com juros caindo mais lento

Executivos de grandes bancos brasileiros alertam que a inadimplência recorde no país não tem previsão de término em 2026, contrariando expectativas anteriores. A principal razão é a projeção de que os custos de empréstimo cairão em um ritmo mais lento do que o inicialmente previsto no início do ano. Este cenário de juros elevados por mais tempo e menor alívio nos custos do crédito impacta diretamente a capacidade de pagamento de consumidores e empresas. Para o mercado financeiro, a persistência da inadimplência e a lentidão na queda dos juros implicam em provisões mais altas para os bancos e menor volume de concessão de crédito. Investidores brasileiros devem monitorar o impacto nos balanços de ITUB4, BBDC4 e BBAS3, que podem enfrentar desafios na expansão de suas carteiras de crédito e na manutenção de margens. Historicamente, períodos de alta inadimplência no Brasil, como em 2015-2016, resultaram em contração do crédito e impactaram negativamente o crescimento do PIB. O próximo gatilho a monitorar é a divulgação do payroll dos EUA em 4 de setembro de 2026, que pode influenciar a política monetária global e, consequentemente, as taxas de juros no Brasil. No médio prazo, se a desaceleração da inflação permitir cortes mais agressivos na Selic, haverá alívio, mas o cenário atual sugere um ambiente de crédito restrito e seletivo.

Análise

Nas próximas 4-8 semanas, os bancos brasileiros devem continuar sob pressão, com atenção aos balanços do terceiro trimestre de 2026 e aos próximos dados de crédito do Banco Central. O gatilho para uma melhora seria uma aceleração inesperada na queda da Selic ou medidas governamentais robustas de estímulo ao crédito. No médio prazo, se a inadimplência não ceder e os juros permanecerem altos, o crescimento do crédito e a rentabilidade do setor bancário continuarão contidos, impactando a performance de ITUB4 e BBDC4, que podem ter quedas adicionais de 5-10% até o fim do ano.

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