Reembolsos de Tarifas Empurram Déficit Fiscal dos EUA para Rota Perigosa

O Tesouro dos EUA coletou US$ 23.6 bilhões em direitos aduaneiros em junho, mas reembolsou US$ 49.2 bilhões em tarifas, resultando em uma saída líquida de US$ 25.6 bilhões. Este desequilíbrio fiscal contribuiu para um déficit orçamentário federal de US$ 120 bilhões no mês, conforme confirmado pelo Departamento do Tesouro. Tal expansão fiscal aumenta a oferta de dólares no mercado global e a necessidade de emissão de dívida. Consequentemente, o dólar (DXY) tende a desvalorizar, enquanto os títulos do Tesouro dos EUA (TLT) podem sofrer pressão de venda. Empresas americanas com grandes cadeias de suprimentos globais, como a Apple (AAPL), podem ver um alívio em seus custos operacionais via reembolsos. No Brasil, a fraqueza do dólar pode beneficiar importadoras como a Magazine Luiza (MGLU3) e tornar ativos brasileiros (EWZ) mais atrativos. Em 2020, o déficit fiscal recorde dos EUA de US$ 3.1 trilhões levou a uma depreciação do DXY de aproximadamente 6.7% no segundo semestre. Investidores devem monitorar os próximos dados fiscais e a política comercial para ajustar suas posições nas próximas 4-8 semanas.

Análise

Nas próximas 4-8 semanas, o DXY (hoje em 100.44) provavelmente testará a faixa de 99.50-100.00, com o USDBRL se fortalecendo em direção a R$ 5.00-5.05, impulsionado pela pressão do déficit dos EUA. Os rendimentos dos Treasuries de 10 anos podem subir para 4.60%-4.70%, pressionando o TLT. Um gatilho para reversão seria a divulgação de dados fiscais mais favoráveis ou uma comunicação mais hawkish do Federal Reserve, mas o cenário base aponta para uma manutenção da pressão sobre o dólar e os títulos.

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