Cade criticado por exclusividade no delivery: risco de duopólio iFood/99Food

O presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, alertou para a inação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em relação aos contratos de exclusividade no mercado de delivery, projetando um duopólio entre iFood e 99Food no Brasil. Este cenário de concentração reduz a competição, permitindo que as plataformas dominantes imponham taxas mais elevadas e condições desfavoráveis aos restaurantes parceiros. Consequentemente, a pressão sobre as margens dos restaurantes pode levar a repasses de custos para os consumidores, impactando o poder de compra e o setor de consumo discricionário. Para o investidor brasileiro, o enfraquecimento da concorrência pode afetar negativamente empresas de varejo e consumo, enquanto os acionistas das controladoras das plataformas dominantes podem se beneficiar da maior rentabilidade. A reação institucional, como a crítica da Abrasel, busca pressionar o Cade por uma intervenção regulatória para restaurar a paridade competitiva. Um paralelo histórico pode ser observado no setor de telecomunicações brasileiro em meados dos anos 2010, onde o Cade atuou em fusões para evitar a formação de monopólios ou oligopólios excessivos. O próximo gatilho relevante será qualquer manifestação ou investigação formal do Cade sobre o tema. No horizonte de médio prazo, a manutenção ou quebra da exclusividade definirá a estrutura de mercado e a rentabilidade dos players de delivery e setores correlatos.

Análise

No curto prazo (3-6 meses), a expectativa é de manutenção do status quo devido à complexidade e lentidão de processos regulatórios, favorecendo os players dominantes PRX.AS e DIDI. Contudo, a pressão da Abrasel pode ser um gatilho para uma revisão regulatória mais aprofundada em 2027, impactando a estrutura de mercado a médio prazo. Observar declarações públicas do Cade e iniciativas legislativas será crucial.

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