Vale Base Metals avança em virada operacional e acelera expansão em cobre

A Vale Base Metals (VBM) pretende ampliar sua produção anual de cobre de aproximadamente 350 mil para 700 mil toneladas, tendo como referência os volumes de 2024. A estratégia combina expansão de operações existentes, aumento dos investimentos em exploração mineral e melhorias de produtividade, em um cenário de restrições na oferta global do metal. Os planos foram apresentados por Shaun Usmar, CEO da Vale Base Metals, em entrevista à jornalista Camilla Hodgson, correspondente de commodities do Financial Times, durante o FT Metals & Mining Summit 2026, realizado em Londres. Segundo o executivo, a companhia busca aproveitar o potencial mineral de suas operações, especialmente no Brasil, para aumentar a produção sem depender exclusivamente da construção de novas minas. Usmar afirmou que o desenvolvimento de grandes projetos de cobre se tornou cada vez mais difícil, enquanto a indústria enfrenta problemas recorrentes para cumprir suas metas de produção. Na avaliação dele, a oferta global poderá registrar queda neste ano, apesar das expectativas anteriores de crescimento. Shaun Usmar, CEO da Vale Base Metals Não existem grandes projetos novos de fácil desenvolvimento. Precisamos investir nas operações existentes, ganhar tempo, eliminar gargalos, explorar melhor e operar melhor”, afirmou Shaun Usmar, CEO da Vale Base Metals. Exploração mineral cresce no Pará Uma das prioridades da Vale Base Metals é ampliar o conhecimento geológico de seus ativos e identificar novas oportunidades próximas às operações existentes. Usmar afirmou que a atividade de sondagem no Pará aumentou quase 500% nos últimos dois anos. A empresa pretende continuar expandindo os trabalhos diante dos resultados obtidos e da identificação de novos alvos de exploração. A meta anunciada pela companhia é elevar suas reservas e recursos minerais em mais de 20% entre 2024 e o próximo ano, objetivo que, segundo o executivo, está avançando conforme o planejado. O crescimento da produção de cobre também depende da melhoria do desempenho de operações como Salobo e Sossego. Em Salobo, uma das principais minas de cobre e ouro da companhia, Usmar destacou os avanços na confiabilidade operacional e os recordes de produção registrados no ano passado. A operação produziu perto de 400 mil onças de ouro no período, segundo ele. Em Sossego, a companhia reduziu custos e conseguiu estender a vida útil da mina. O executivo afirmou que as melhorias operacionais e a revisão dos projetos permitiram acelerar o portfólio de crescimento e melhorar suas perspectivas de retorno. Segundo Usmar, a empresa trabalha com oportunidades de expansão em áreas já conhecidas, com potencial de retorno entre 70% e 90%, considerando os preços de consenso utilizados em suas avaliações. A meta de alcançar 700 mil toneladas anuais de cobre, acrescentou, não representa necessariamente o limite das ambições da companhia. “Meu foco é ir muito além disso, porque os recursos minerais estão lá”, afirmou, ressaltando que essa expectativa adicional não constitui uma projeção formal de produção. Níquel volta a gerar resultados positivos A recuperação das operações de níquel foi outro destaque da entrevista. Usmar reconheceu que a expansão da produção de baixo custo na Indonésia alterou profundamente as condições de concorrência no mercado internacional. Segundo ele, o país já responde por aproximadamente 60% a 65% da oferta global do metal. Esse crescimento pressionou produtores ocidentais, levando algumas empresas a reduzir ou interromper operações. A Vale Base Metals, no entanto, decidiu concentrar esforços na recuperação de sua competitividade, por meio de redução de custos, reorganização de ativos e melhor aproveitamento da infraestrutura industrial existente. O executivo afirmou que o negócio de níquel chegou a registrar perdas de caixa próximas de US$ 1 bilhão por ano, mas passou a gerar resultados positivos após as medidas de reestruturação. Segundo Usmar, a companhia está adiantada em relação ao plano de atingir um ritmo operacional de equilíbrio de fluxo de caixa até o fim do ano. A estratégia inclui aumentar a utilização das instalações de processamento, diluindo custos fixos e melhorando a eficiência das operações. Em Sudbury, no Canadá, as unidades de beneficiamento registraram no ano passado seu maior volume processado desde 2016. A companhia também ampliou em 25% a capacidade de processamento em Clarabelle no segundo trimestre, segundo o executivo. Outro exemplo citado foi a integração entre a mina de Voisey’s Bay e a instalação de processamento de Long Harbour, na província canadense de Terra Nova e Labrador. A antecipação da entrada em operação de Voisey’s Bay permitiu que Long Harbour alcançasse sua capacidade nominal pela primeira vez em 11 anos. No segundo trimestre, a instalação registrou um recorde de produção, de acordo com Usmar. A mina Onça Puma, localizada em Ourilândia do Norte, é a primeira operação de níquel da Vale Base Metals (VBM) no Brasil. (Foto: Ricardo Teles/ Vale Base Metals) No Brasil, o executivo também destacou o aumento da produção em Onça Puma, após a entrada em funcionamento do segundo forno, que permitiu praticamente dobrar os volumes em relação ao período anterior. Reorganização do portfólio e metais estratégicos A Vale Base Metals também vem reorganizando seu portfólio para concentrar investimentos nos ativos considerados mais competitivos. Usmar mencionou a conclusão da transação envolvendo as operações de Thompson, no Canadá, como parte dessa estratégia. A operação prevê a participação de um consórcio formado por investidores, incluindo a Exxaro, o Canada Growth Fund e a Orion Mine Finance, enquanto a Vale Base Metals permanecerá como acionista minoritária e cliente.A empresa também busca ampliar o aproveitamento de outros metais presentes em suas jazidas. Segundo o executivo, aproximadamente metade da receita da Vale Base Metals vem atualmente do níquel, enquanto o restante está associado principalmente ao cobre. Além desses dois metais, a companhia produz cobalto e metais do grupo da platina, cuja recuperação pode contribuir para melhorar os resultados econômicos das operações. Usmar ressaltou a importância da estrutura integrada de mineração, beneficiamento, fundição e refino da companhia, especialmente para atender mercados que exigem níquel de elevada pureza. De acordo com ele, a Vale Base Metals fornece mais de 60% do níquel de alta pureza destinado aos setores aeroespacial e de defesa dos Estados Unidos. O executivo afirmou que a presença em diferentes etapas da cadeia produtiva representa uma vantagem estratégica, mas ressaltou que essas operações precisam ser economicamente sustentáveis. Custos mais baixos apesar da inflação A entrevista também abordou os impactos da inflação sobre a indústria mineral. Usmar mencionou pressões relacionadas ao fornecimento de diesel, custos de transporte, câmbio e aumento dos preços de insumos como explosivos, pneus e materiais utilizados na moagem. Segundo ele, essas dificuldades afetam toda a cadeia de suprimentos e exigem ganhos contínuos de eficiência. Apesar desse cenário, a Vale Base Metals conseguiu revisar suas projeções operacionais, aumentando as expectativas de volume e reduzindo as estimativas de custos. O executivo afirmou que a companhia diminuiu suas projeções de custos em aproximadamente US$ 1 mil por tonelada de cobre e US$ 2 mil por tonelada de níquel, mesmo considerando as pressões inflacionárias. No caso do níquel, Usmar destacou que a empresa passou de uma posição no quarto quartil da curva global de custos, há dois anos, para o primeiro quartil, tanto em custos quanto em intensidade de carbono. Segundo ele, manter essa posição é fundamental para competir com a produção indonésia. A companhia também reduziu em mais de 30% a intensidade de capital de seu portfólio de projetos, resultado atribuído à reestruturação e à revisão dos investimentos. Vale Base Metals pode gerar mais de US$ 1 bilhão em caixa livre A recuperação operacional e financeira alterou as perspectivas de financiamento da empresa. Questionado sobre a possibilidade de uma oferta pública inicial de ações (IPO), Usmar afirmou que a Vale Base Metals está em condições mais favoráveis do que quando assumiu a gestão. Segundo ele, a companhia chegou a consumir aproximadamente US$ 2 bilhões em caixa por ano, situação que tornava mais relevante a busca por novas fontes de financiamento. Atualmente, a expectativa é gerar mais de US$ 1 bilhão em fluxo de caixa livre neste ano, com EBITDA estimado entre US$ 4,5 bilhões e US$ 5 bilhões. A melhora dos resultados, combinada à redução das necessidades de investimento, diminuiu a pressão para uma eventual abertura de capital. Usmar afirmou que a companhia está preparada para uma operação desse tipo, caso seus acionistas considerem que faça sentido do ponto de vista estratégico. Entretanto, destacou que o IPO deixou de ser uma necessidade imediata para financiar o crescimento. Segundo o executivo, mantidas as condições de preços mencionadas na entrevista e sem distribuição de dividendos, a empresa poderá alcançar uma posição de caixa líquido até o fim do ano. Limites da expansão mineral Na avaliação de Usmar, a ampliação da oferta global de minerais críticos dependerá não apenas de investimentos, mas também de maior colaboração entre empresas, governos e demais participantes da cadeia produtiva. O executivo ressaltou que o desenvolvimento de uma nova mina de cobre pode levar entre 15 e 20 anos, considerando as etapas de descoberta, estudos, licenciamento e implantação. Para ele, os esforços governamentais para acelerar a aprovação de projetos precisam ser acompanhados de investimentos em infraestrutura, formação profissional e capacidade técnica. Usmar alertou que a indústria enfrenta uma lacuna geracional de profissionais especializados, resultado de anos de investimentos insuficientes e dificuldades de renovação da força de trabalho. Também destacou que a expansão da capacidade de processamento e refino fora da China exige políticas de longo prazo, diante dos custos elevados e da complexidade desses empreendimentos. Segundo o executivo, a resposta não pode depender apenas de subsídios, mas de condições que permitam construir operações competitivas e sustentáveis. Ele defendeu ainda que a ampliação da oferta mineral ocorra com padrões adequados de proteção ambiental, diálogo com comunidades e responsabilidade operacional. Para Usmar, a crescente importância estratégica dos minerais exige que empresas e governos encontrem formas de desenvolver novos projetos de maneira responsável. Demanda por níquel de alta pureza reforça importância da cadeia produtiva Na parte final da entrevista, Usmar abordou o interesse de governos e indústrias por cadeias de fornecimento confiáveis de minerais estratégicos, especialmente diante das necessidades dos setores aeroespacial e de defesa. O executivo destacou que a Vale Base Metals possui uma longa trajetória no fornecimento de níquel de alta pureza e mantém relações comerciais com diferentes mercados internacionais. Segundo ele, a segurança do abastecimento depende de parcerias construídas ao longo do tempo e da capacidade das empresas de cumprir seus compromissos. O que o mundo precisa neste momento são parceiros confiáveis, que tenham resistido ao teste do tempo. É preciso construir confiança, e confiança leva tempo. Para a Vale Base Metals, a prioridade continua sendo consolidar a recuperação operacional, ampliar a produção de cobre e manter a competitividade do níquel em um mercado internacional marcado por excesso de oferta e forte concorrência de custos. O Radar Mineração é uma plataforma de conteúdo patrocinada pela Vale e dedicada a ampliar o debate sobre o papel do setor na transição energética e no futuro da sociedade The post Vale Base Metals avança em virada operacional e acelera expansão em cobre appeared first on InfoMoney.

CryptoAlerta — análise de criptomoedas e mercado em tempo real