Após uma série de ataques fatais dos houthis, autoridades sauditas enfrentaram uma escolha difícil no fim de semana: transferir para o formato online a principal conferência de investimentos do reino e correr o risco de esvaziar um evento que se tornou uma vitrine do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, ou adiá-lo completamente. O dilema ressaltou o quão importante a Future Investment Initiative se tornou para os esforços do reino de atrair o sistema financeiro global. A questão era se um encontro virtual conseguiria proporcionar os negócios e o networking de alto nível que ajudaram a FII a gerar acordos superiores a US$ 50 bilhões apenas no ano passado. Ao longo de 24 horas intensas, a resposta ficou clara. No domingo (18), os organizadores sinalizavam uma mudança para um formato híbrido ou virtual. Na segunda-feira (19), ficou evidente que a conferência não poderia ocorrer presencialmente e, por volta das 18h no horário local, os organizadores confirmaram que ela seria adiada para 2027. O evento anual estava previsto para começar em 26 de outubro e contaria com a participação de nomes como Jane Fraser, CEO do Citigroup, David Solomon, do Goldman Sachs, e Larry Fink, da BlackRock. Somente os painéis de abertura do ano passado reuniram executivos dos setores financeiro e de tecnologia que comandavam empresas com valor de mercado combinado de quase US$ 3 trilhões. Essas companhias são fundamentais para as tentativas do príncipe herdeiro de diversificar a economia saudita. Leia também Qual é o risco de a Bolsa cair após o 2º turno? Veja 5 ações para se proteger Em meio a expectativa de volatilidade, analistas recomendam ajustar pesos sem girar toda a carteira antes do dia 25 Taxas do Tesouro Direto caem forte após novas pesquisas, mesmo com alta do petróleo Prefixados devolvem praticamente toda a alta registrada ao longo de segunda-feira, em dia de pesquisas Real Time Big Data e Alfa Inteligência com Flávio à frente de Lula A conferência tem o fundo soberano saudita de US$ 905 bilhões como parceiro fundador e é supervisionada, em última instância, pelo governante de fato do país, o que significa que as decisões finais envolveram os mais altos escalões da liderança saudita. O que estava em jogo não era apenas o formato, mas se o evento poderia entregar o que organizadores e participantes esperavam. Essa avaliação acabou selando a decisão. Em um breve comunicado anunciando o adiamento, as autoridades disseram querer que a edição comemorativa entregasse toda a escala, qualidade e impacto que palestrantes e participantes passaram a esperar. “Uma década de parceria e visão compartilhada merece nada menos do que o nosso melhor absoluto”, disse em comunicado Maha bint Mishari Al Saud, CEO do FII Institute, organizador do evento. Mesmo enquanto surgiam as notícias sobre o adiamento, os riscos de segurança enfrentados pela Arábia Saudita estavam à vista, com sirenes de alerta aéreo soando em Riad. O Aeroporto Internacional King Khalid restringiu voos por tempo indeterminado, limitando efetivamente a principal porta de entrada aérea do reino. Os houthis, parte do chamado eixo da resistência apoiado por Teerã, estão em conflito com Riad desde muito antes do início da guerra com o Irã, em fevereiro. Eles intensificaram os ataques em outubro após forças iemenitas apoiadas pela Arábia Saudita lançarem uma ofensiva para retomar áreas controladas pelos houthis. Desde então, diversos governos adicionaram restrições de viagens, o que significa que muitos participantes precisariam considerar rotas alternativas para chegar a Riad, incluindo voar para Doha ou Bahrein e percorrer mais de cinco horas de carro até a capital saudita. A partir de Dubai ou Abu Dhabi, a viagem levaria pelo menos dez horas. Isso aumentou a preocupação entre executivos de algumas das maiores empresas de Wall Street. Mesmo antes do início da guerra, alguns já questionavam se ainda havia dinheiro suficiente a ser ganho na Arábia Saudita. Muitos relutavam em desistir de participar, receosos de prejudicar relações com um país que, apesar das dificuldades, ainda mantém capacidade de realizar operações bilionárias. Outros eventos empresariais e de entretenimento na Arábia Saudita também foram afetados pelos ataques houthis, incluindo uma cúpula entre a União Europeia e o Conselho de Cooperação do Golfo, a edição inaugural do evento imobiliário MIPIM Middle East e o torneio de tênis “Six Kings Slam”. O Capital Markets Forum Select, em Londres, organizado pelas bolsas de valores da Arábia Saudita e de Londres, também foi adiado devido às restrições de viagens aéreas, segundo uma pessoa familiarizada com o assunto, mostrando que a disrupção está se espalhando além das fronteiras do reino. O FII Institute informou que seu principal encontro foi adiado para uma data ainda não definida em 2027, quando terá de encontrar espaço em um calendário internacional já bastante congestionado. Além do evento em Riad, a FII organiza cúpulas ao redor do mundo, incluindo em Miami, onde o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já fez discursos especiais. Ainda assim, a decisão de Riad de adiar a FII destaca a disposição das autoridades de tomar decisões difíceis, como demonstrado pela capacidade de redirecionar prioridades de projetos como Neom para setores como inteligência artificial. Ao mesmo tempo, analistas afirmam que os efeitos da guerra devem prejudicar a atratividade do reino. “Acho que a Arábia Saudita foi prejudicada por esse conflito com os houthis”, disse Matthew Mullman, analista sênior de macro global da Signum Global Advisors, à Bloomberg Television na segunda-feira. Segundo ele, as empresas agora podem passar a questionar a viabilidade de construir infraestrutura crítica no reino. “A imagem da Arábia Saudita como principal destino de investimentos do Golfo sofreu um golpe.” © 2026 Bloomberg L.P. The post Conflito força adiamento de fórum e testa imagem da Arábia Saudita entre investidores appeared first on InfoMoney.
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