CNA debate seguro rural, dívidas e risco climático para a produção

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) debateu, na quarta-feira (4), a implementação do Marco Legal do Seguro Rural, medidas emergenciais de apoio aos produtores e os possíveis efeitos do El Niño sobre a produção agrícola brasileira. Os temas foram discutidos em reunião da Comissão Nacional de Política Agrícola, em Brasília, com foco no seguro, no endividamento e no risco climático para o próximo ciclo produtivo. Na abertura da reunião, o presidente da comissão, José Mário Schreiner, afirmou que o seguro rural é central para a política agrícola e defendeu avanço na aplicação da nova legislação. Segundo ele, é necessário cobrar a implementação da lei e buscar soluções para o produtor rural. Durante o encontro, a comissão discutiu a redução da cobertura do seguro rural no país. Dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), apresentados na reunião, mostram que o valor segurado caiu de R$ 50,5 bilhões, em 2024, para R$ 17,6 bilhões, em 2025, retração de 65%. No mesmo período, o número de produtores beneficiados passou de 85,5 mil para 41,7 mil, queda de 51%. Acompanhe os preços das principais commodities do agro, como soja, milho e boi, com atualização direta das principais praças do Brasil: acesse a página de cotações do Canal Rural! Ao apresentar as mudanças previstas no marco legal, Júlio Alexandre Menezes destacou a necessidade de ampliar a oferta de produtos e adequar as apólices às diferentes realidades da produção. Entre os pontos debatidos estiveram a previsibilidade de recursos para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), a formação de bases de dados para precificação dos riscos e a operacionalização do fundo de cobertura suplementar, conhecido como Fundo Catástrofe. A comissão também tratou da Medida Provisória 1376/2026, voltada ao endividamento dos produtores e à renegociação de dívidas. Participantes relataram preocupação com as condições de financiamento do próximo ciclo, incluindo casos em Mato Grosso com dificuldade para viabilizar o plantio da próxima safra. O gerente executivo de Soluções Agro da Serasa Experian, Dyego Santos, apresentou dados de inadimplência e recuperação judicial no setor. Segundo o levantamento, os pedidos de recuperação judicial caíram 20% no comparativo trimestral, enquanto os indicadores de inadimplência cresceram nos últimos anos. A Serasa Experian também apresentou um estudo sobre os possíveis efeitos de um super El Niño na safra de soja 2026/2027. Em uma área estimada em 49,9 milhões de hectares, a produção poderia atingir 163,6 milhões de toneladas, ante 181,2 milhões de toneladas em condições climáticas neutras. A diferença de 17,6 milhões de toneladas representa redução de 9,7% e impacto estimado em R$ 33 bilhões no Valor Bruto da Produção (VBP) da soja, com preços de agosto de 2026. Pelas projeções apresentadas, as perdas na soja se concentrariam no Centro-Oeste, especialmente em Mato Grosso e Goiás, enquanto o Rio Grande do Sul poderia registrar aumento de produção. Na reunião, também foram expostas estimativas de impactos entre 3,6 e 9,6 pontos percentuais na inflação de alimentos no domicílio e projeção de queda de 0,7% no Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária em 2027. Fonte: cnabrasil.org.br O post CNA debate seguro rural, dívidas e risco climático para a produção apareceu primeiro em Canal Rural.

CryptoAlerta — análise de criptomoedas e mercado em tempo real