Osama Najjar, refugiado palestino que vivia no campo de Beddawi, em Trípoli, teve que fechar sua loja de alumínio no início de 2024 ao não conseguir pagar as contas diante da alta inflação e dos custos de energia. Palestinos no Líbano são proibidos de exercer profissões como medicina, direito, engenharia e farmácia, tornando o comércio informal uma das poucas fontes de renda. Desde a Nakba de 1948, quando mais de 500 cidades palestinas foram destruídas, cerca de 13 000 palestinos foram mortos e 750 000 tornaram‑se refugiados; aproximadamente 100 000 desses se deslocaram para o norte do Líbano, onde cerca de 222 000 vivem, segundo a UNRWA em fevereiro de 2025. Apesar de decretos de 2010, 2021 e de um mecanismo administrativo criado em fevereiro de 2026 que permite que estudantes palestinos de enfermagem solicitem patrocínio de emprego, especialistas afirmam que as mudanças não alteram a exclusão estrutural do mercado de trabalho. Elia Ayoub, pesquisador palestino‑libanês, destacou a discriminação institucional, a proibição de propriedade de terra e a falta de representação política como fatores que agravam a vulnerabilidade da comunidade.
A decisão do governo libanês de alterar leis trabalhistas ou de impor medidas de controle de energia, e os dados oficiais de inflação e preços de energia do próximo trimestre, determinarão se a pressão econômica sobre os refugiados palestinos aumentará ou diminuirá. A publicação do relatório de inflação de maio de 2026 e a divulgação de novos regulamentos de trabalho para palestinos em julho de 2026 serão os principais eventos que definirão o desfecho.
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