O juiz federal Guilherme Roman Borges, da 13ª Vara Federal de Curitiba, suspendeu as audiências e julgamento da Operação Mafiusi, previstas para novembro de 2026. A investigação, conduzida pela Polícia Federal em cooperação com investigadores europeus, apura um esquema de tráfico internacional de cocaína e lavagem de dinheiro operado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) e pela máfia italiana 'Ndrangheta. O magistrado justificou a decisão pela necessidade de aguardar o recebimento de provas e documentos que estão sob a responsabilidade de investigadores franceses e que já foram solicitados por meio de cooperação jurídica internacional. O juiz alertou que a realização de oitivas de testemunhas e interrogatórios antes do aporte do material probatório requisitado à França acarretará inevitável renovação dos atos probatórios e pode gerar arguições de nulidade absoluta e insegurança jurídica ao processo. Segundo a Polícia Federal, a organização criminosa enviou seis toneladas de cocaína à Europa, distribuídas em 20 carregamentos, e movimentou R$ 4,8 bilhões. O caso envolve nove investigados na Itália e 11 no Brasil. A Operação Mafiusi tramita na mesma vara que concentrou processos da Operação Lava Jato, e foi turbinada por delações premiadas, principalmente a de Marco José de Oliveira. As revelações atingem a estrutura financeira do PCC e foram consideradas decisivas para identificar e interromper canais de movimentação de recursos ilícitos ligados ao grupo.
A entrega dos documentos solicitados à França e a posterior conclusão da fase de instrução definirão se o processo avançará ou será novamente suspenso, com os documentos esperados para publicação até meados de dezembro de 2026.
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