Ouro Sobe com BCs e China, Mas Luta para Reverter Perdas Pós-Irã

Contratos futuros de ouro na Comex fecharam em alta nesta segunda-feira (10), revertendo perdas intraday, impulsionados por compras contínuas de bancos centrais, notadamente da China, e maior demanda de ETFs lastreados em ouro por investidores chineses. O mecanismo econômico sugere um suporte à demanda por ouro como reserva de valor e hedge contra incertezas, especialmente via fluxos institucionais e de varejo asiático. Contudo, essa alta pontual não reverteu a desvalorização, com GLD e IAU permanecendo bem abaixo dos níveis pré-conflito no Irã, indicando fragilidade na recuperação. Para o investidor brasileiro, a performance do ouro, um ativo sem rendimento, é crucial na comparação com a Selic e o dólar, que pode se fortalecer se o ouro não sustentar a alta, impactando USDBRL. Em 2022, após a invasão russa da Ucrânia, o ouro teve um pico inicial de US$2070/oz, mas não conseguiu sustentar esses ganhos, caindo ~15% nos meses seguintes apesar da escalada geopolítica e inflação. O próximo gatilho a monitorar é a divulgação de dados de inflação global e as decisões de política monetária dos principais bancos centrais nas próximas 2-4 semanas, que podem impactar os juros reais e o custo de oportunidade do ouro. No médio prazo, o ouro enfrenta o desafio de justificar seu valor como porto seguro em um cenário de taxas de juros reais potencialmente crescentes e um dólar resiliente, onde a demanda atual pode ser mais tática do que estrutural.

Análise

O ouro ($4437.00 hoje) provavelmente enfrentará desafios para sustentar a valorização, com uma expectativa de lateralização ou leve correção para a faixa de US$4200-4300 nas próximas 3-6 semanas. O principal gatilho para uma queda seria a sinalização de políticas monetárias mais restritivas ou a diminuição do ritmo de compras dos bancos centrais, invalidando a narrativa de demanda contínua.

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