EUA e Irã avançam em negociação sobre questão nuclear e se aproximam de acordo, diz agência

Os Estados Unidos e o Irã estão mais próximos de um possível acordo para encerrar a guerra, após Teerã demonstrar disposição para discutir seu programa nuclear que até então estava fora das negociações. Segundo a Bloomberg, que ouviu um diplomata com conhecimento das conversas, o governo iraniano analisa propostas apresentadas pelo Catar em uma tentativa de superar o impasse diplomático que persiste desde o colapso de um acordo provisório de paz firmado em junho. Impedir o Irã de desenvolver uma arma nuclear tem sido apontado pelo presidente americano, Donald Trump, como o principal objetivo da guerra, iniciada em 28 de fevereiro com ataques dos EUA e de Israel contra o país. A aproximação ocorre poucos dias depois das eleições legislativas americanas, nas quais o Partido Democrata conquistou o controle da Câmara dos Deputados e do Senado com uma vitória esmagadora sobre o Partido Republicano do presidente. Trump conversou recentemente por telefone com o emir do Catar, xeque Tamim bin Hamad Al Thani, sobre os esforços para reduzir as tensões e alcançar um acordo abrangente que ponha fim ao conflito. O gabinete do emir confirmou nesta sexta-feira (6) que os dois líderes discutiram as iniciativas de mediação do país. Na quinta-feira (5), porém, Trump adotou um tom mais duro ao afirmar que decidiria "em breve" se lançaria novos ataques contra o Irã e ameaçou destruir "o resto do país" se considerasse necessário, conforme informou o site de notícias Axios. "Agora vamos tomar uma decisão", afirmou a jornalistas no Salão Oval da Casa Branca. O presidente questionou se os Estados Unidos deveriam ampliar os ataques para garantir que o programa nuclear iraniano fosse destruído e não pudesse ser retomado. "Eu preferiria não destruir o restante do país, se possível, mas talvez tenha que fazê-lo. Vocês saberão em breve." Religiosos iranianos queimam bandeiras dos Estados Unidos e de Israel durante as comemorações do 47º aniversário da expulsão dos americanos do Irã Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency), via Reuters Em paralelo às conversas mediadas pelo Catar, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, também intensificou os contatos diplomáticos com países da região. Na quinta-feira, ele conversou por telefone com seus homólogos da Arábia Saudita e do Catar sobre "esforços destinados a estabelecer a estabilidade na região", segundo um comunicado publicado em seu canal oficial no Telegram. Araghchi também manteve conversas com representantes dos Emirados Árabes Unidos, da Turquia, do Kuwait, do Chipre e da Jordânia. Além disso, a Rússia se envolveu nas movimentações diplomáticas mais recentes. Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, reuniu-se com o presidente russo, Vladimir Putin, em Moscou, segundo comunicado do Kremlin. De acordo com a emissora estatal iraniana IRIB, Rezaei entregou ao líder russo uma mensagem do líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei. O conteúdo da mensagem não foi divulgado.

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