Meta nega viés eleitoral e afirma que Lula alcançou mais pessoas

A Meta enviou nesta sexta-feira (6) uma manifestação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negando viés na distribuição de conteúdo eleitoral em suas plataformas e afirmando que as publicações do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alcançaram mais pessoas no Instagram do que as de Flávio Bolsonaro (PL) durante a campanha de 2026. A manifestação foi parte de uma ação em que a coligação do petista questionava o método de distribuição de conteúdo da empresa, alegando que políticos aliados do senador teriam tido maior alcance. A Meta contestou, destacando que a análise feita pela campanha de Lula não considerou diferenças nas estratégias digitais e o efeito de reproduções repetidas. A empresa afirmou que Flávio publicou com menos frequência e alcançou mais pessoas por publicação, enquanto Lula publicou mais vezes, alcançando menos pessoas por publicação, mas tendo um número maior no total. Em relação às publicações do deputado federal reeleito Nikolas Ferreira (PL-MG), alvo de contestação da coligação do petista, a Meta disse que seus reels foram reproduzidos mais vezes do que aqueles publicados por Lula, Flávio e a deputada federal reeleita Erika Hilton (Psol-SP), o que tornaria a contagem dos vídeos de Nikolas "mais propensa a superestimar o número de pessoas diferentes que assistiram ao seu conteúdo". Para a Meta, "diferenças de alcance não são evidências de favorecimento", mas refletem fatores como frequência de publicação, estratégias digitais, tempo de visualização, curtidas, comentários e concorrência com outros conteúdos. No relatório enviado ao TSE, a Meta analisou o conteúdo publicado por contas de políticos do campo de Lula e do campo de Flávio, de 16 de agosto a 25 de outubro, período que compreendeu a campanha eleitoral. Durante o período eleitoral, as contas oficiais de Lula no Instagram alcançaram mais pessoas e geraram mais impressões nas primeiras 24 horas após as publicações do que as de Flávio Bolsonaro. Em ambos os indicadores, os números do petista foram cerca de 1,5 vez maiores. Os dados consideram apenas a distribuição orgânica, sem incluir anúncios. Em uma análise mais ampla, a empresa afirmou que as contas da oposição e da base governista tiveram alcance semelhante na plataforma. Entre 16 de agosto e 25 de outubro, o número de pessoas que visualizaram ao menos uma publicação de perfis da oposição foi 13% maior do que o registrado entre os que viram conteúdos da base governista. A Meta também afirmou que, em razão das regras do TSE que restringiam recomendações de conteúdo político a não seguidores, a maior parte do alcance das contas dos candidatos veio de seus próprios seguidores. As visualizações de não seguidores ocorreram principalmente por compartilhamentos de outros usuários ou visitas diretas aos perfis, e não por recomendações da plataforma. A empresa acrescentou que, após o TSE flexibilizar as restrições para candidatos ao Congresso, em 9 de outubro, houve aumento significativo no alcance entre não seguidores dessas contas.

Análise

A decisão do TSE sobre a contestação da coligação do petista, que deve ser publicada em 20 de novembro de 2026, definirá se a Meta terá que ajustar seu algoritmo de distribuição de conteúdo político ou se permanecerá em conformidade com as regras atuais.

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