O Banco Central do Paraguai (BCP) deu início ao pagamento de adiantamentos aos correntistas do Ueno Bank, instituição que teve o acesso de quase 3 milhões de clientes bloqueado após intervenção regulatória. O processo foi anunciado na tarde de quinta‑feira pelo diretor da Unidade Administradora do Fundo de Garantia de Depósitos (FGD), José Maciel, que confirmou à agência AFP que os pagamentos começaram na sexta‑feira. A liquidação do Ueno Bank foi determinada em 2 de novembro, depois que o BCP identificou uma grave insuficiência de capital, com o índice de solvência caindo para menos da metade do mínimo legal. O banco administrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos. Na sequência, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia em 5 de novembro, sob pressão do Congresso para iniciar um processo de impeachment; o Senado rejeitou a renúncia e pretende avançar com a destituição, podendo o vice‑presidente Pedro Alliana assumir o Executivo. O presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, também entregou o cargo a pedido de Peña, sendo substituído interinamente por Liana Caballero. O maior acionista e fundador do Ueno, Miguel Vásquez, e outros sete diretores compareceram voluntariamente à Polícia Nacional e à Justiça. Em junho, o Ueno Bank já atendia 2,94 milhões de clientes, representando mais de 9% dos depósitos do país, que possui cerca de 6,1 milhões de habitantes. O congelamento das contas afetou duas em cada três operações eletrônicas locais, segundo a Associação de Importadores e Comerciantes do Paraguai (Asimcopar), gerando risco de semiparalisação comercial. A crise também reteve US$ 13 milhões da Confederação Sul‑Americana de Futebol (Conmebol) e dificultou o pagamento de salários em clubes de primeira divisão patrocinados pelo banco.
A decisão do Senado paraguaio sobre a destituição de Santiago Peña e a conclusão dos pagamentos garantidos pelo Fundo de Garantia de Depósitos, prevista para a próxima semana, definirão o desfecho da crise.
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