Petróleo recua após se aproximarem das máximas de seis meses

Os preços do petróleo caem nesta segunda-feira (26), após dispararem na semana passada e se aproximarem das máximas de seis meses, em meio às expectativas de redução das hostilidades entre os Estados Unidos e o Irã. No entanto, os ataques persistentes contra a Arábia Saudita, um importante produtor de petróleo, mantiveram os investidores em alerta. Os contratos futuros do petróleo West Texas Intermediate (WTI), dos Estados Unidos, recuavam US$ 2,03, ou 1,97%, para US$ 101,20 por barril, às 5h36 (horário de Brasília). Os contratos futuros do petróleo Brent caíam US$ 1,80, ou 1,54%, para US$ 114,90. Na sexta-feira, os preços fecharam em alta de quase US$ 3, após ataques dos houthis na Arábia Saudita intensificarem as preocupações com o abastecimento de energia. O Brent encerrou a semana com alta de 6%, enquanto o WTI acumulou valorização de 2,3%. Neste domingo (25), mediadores do Catar viajaram a Teerã como parte de um esforço para reduzir as tensões regionais, em coordenação com os Estados Unidos, informou uma autoridade a par da situação. Além disso, altos funcionários dos países integrantes do Pacto de Meca — Arábia Saudita, Turquia e Paquistão — devem se reunir hoje com autoridades iranianas em Teerã, no primeiro contato de alto nível desde que os ataques dos houthis, apoiados pelo Irã, contra a Arábia Saudita se tornaram um ponto de pressão no conflito mais amplo. “Os temores de uma retomada das hostilidades militares no Oriente Médio, que impulsionaram grande parte da alta do petróleo na semana passada, diminuíram nesta manhã, mas esse alívio pode se mostrar temporário”, afirmou Vandana Hari, fundadora da Vanda Insights, empresa de análise do mercado de petróleo. Hari disse que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não dissipou as expectativas do mercado de que ataques contra o Irã ainda possam ocorrer após as eleições legislativas de meio de mandato, em 3 de novembro. “Portanto, esperamos que a volatilidade permaneça elevada, com os riscos ainda inclinados para a alta”, acrescentou. Apesar das negociações de mediação, os ataques continuaram durante o fim de semana. Os houthis afirmaram ter atingido estações de bombeamento do oleoduto saudita Leste-Oeste, que transporta petróleo bruto, e o aeroporto de Riad. A Arábia Saudita informou ontem que havia interceptado mais mísseis e drones. Os efeitos da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, iniciada em 28 de fevereiro, continuam repercutindo, enquanto as empresas se adaptam às interrupções no transporte marítimo comercial pelo estratégico Estreito de Ormuz e pelo estreito de Bab el-Mandeb, provocadas pelo conflito. Osministros da Energia da Arábia Saudita e de Singapura afirmaram hoje que a estatal petrolífera saudita Saudi Aramco começará a armazenar petróleo bruto em Singapura a partir do segundo semestre de 2027, com o objetivo de reforçar a resiliência de sua cadeia de abastecimento na região. “Embora os riscos para o abastecimento relacionados ao Estreito de Ormuz continuem firmemente presentes, a atual retração dos preços parece refletir mais ajustes de posições e gestão de riscos do que qualquer melhora significativa na situação subjacente do abastecimento”, afirmou Priyanka Sachdeva, chefe de análise de mercado da Phillip Nova. O chefe da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, reforçou as preocupações com a situação do abastecimento ao afirmar durante um evento do setor em Singapura, que não espera que os mercados de energia retornem, em 2027, às condições anteriores à guerra com o Irã.

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