Preços baixos do minério devem afetar resultado da Vale no 3º tri, dizem analistas

Os preços menores para o minério de ferro e para o níquel e vendas abaixo do esperado para o cobre devem levar a Vale a apresentar, no terceiro trimestre, resultados mais fracos que os números do período julho-setembro do ano passado. Projeções compiladas pelo Valor junto a quatro bancos e corretoras mostram que o lucro líquido médio previsto é de US$ 1,607 bilhão, o que, caso se confirme, será 40,1% abaixo do terceiro trimestre do ano passado. A Vale divulga os resultados do terceiro trimestre na quinta-feira (29), depois do fechamento do mercado. Confira resultados e indicadores da Vale e das demais companhias de capital aberto no portal Valor Empresas 360 Neste trimestre, a Vale passará a divulgar os dados de produção juntamente com o balanço financeiro. Segundo a empresa, o objetivo é oferecer uma visão mais integrada dos resultados. A média para a receita líquida projetada inclui cinco bancos e corretoras e aponta para um montante de R$ 10,345 bilhões no terceiro trimestre, 0,72% a menos que em igual período do ano passado. Para o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês), a média das cinco casas de análise é de US$ 3,5 bilhões, 20,4% inferior ao terceiro trimestre de 2025. Para o lucro líquido, o Valor compilou as projeções de Itaú BBA, Citi, BTG e Ativa Corretora. Para a receita líquida e o Ebitda, também são consideradas as prévias do UBS BB. As estimativas de lucro variam de US$ 1,087 bilhão do Itaú BBA aos US$ 2,428 bilhões do BTG Pactual, enquanto as projeções para a receita líquida vão dos US$ 10,06 bilhões do Itaú BBA aos US$ 10,549 bilhões do BTG Pactual. Para o Ebitda, a menor estimativa é do Citi, de US$ 3,390 bilhões, enquanto a maior é do BTG Pactual, de US$ 3,581 bilhões. O Itaú BBA, em relatório assinado pelos analistas Daniel Sasson, Marcelo Furlan Palhares e João Paulo Helito, afirma que no setor de minério de ferro, os preços realizados menores e os custos mais altos de frete podem ofuscar as vendas “levemente melhores” frente ao segundo trimestre. Os analistas do banco esperam vendas de 82,7 milhões de toneladas no terceiro trimestre, o que, caso confirmado, significará uma alta de 3,7% ante as 79,747 milhões de toneladas do segundo trimestre. Frente às vendas de 85,997 milhões de toneladas do terceiro trimestre do ano passado, haveria queda de 3,83%. No segmento, os analistas do banco ponderam que questões operacionais no Sistema Norte devem afetar os volumes de finos de minério e enfraquecer o “mix” de qualidade. Para o preço médio realizado no trimestre, a estimativa do Itaú BBA é de US$ 88 por tonelada de finos de minério, contra US$ 95 por tonelada no segundo trimestre e US$ 94,4 por tonelada no terceiro trimestre de 2025. Para a Vale Base Metals (VBM), os analistas do Itaú BBA esperam que os números da subsidiária sejam impactados por menores volumes vendidos de cobre e preços mais fracos de níquel, além de custos maiores. Para o níquel, Itaú BBA projeta vendas de 48 mil toneladas no terceiro trimestre, o que significaria alta de 11,88% ante o terceiro trimestre do ano passado e crescimento de 8,1% frente ao segundo trimestre deste ano. No cobre, a estimava do banco é de vendas de 88 mil toneladas, 2,22% abaixo do terceiro trimestre de 2025 e 9,83% a menos que no segundo trimestre deste ano. A expectativa é de que o Ebitda da VBM caia para US$ 1,04 bilhão, 19,3% abaixo do US$ 1,289 bilhão registrado no segundo trimestre. “Os preços mais altos do cobre são mais que compensados pelo menor volume e por custos mais altos da parada de Sossego”, dizem os analistas, que citam também preços menores e custos maiores de manutenção mais elevados no segmento de níquel. O UBS BB afirma em relatório assinado por Caio Greiner, Arthur Biscuola, Eduardo Woiciski e Myles Allsop que a divisão de ferrosos deve ser pressionada por uma combinação de volumes menores, preços realizados mais fracos e custo “all-in” relativamente estável — em torno de US$ 65 por tonelada, contra US$ 61,6 por tonelada no segundo trimestre. O UBS BB projeta preço realizado na venda de finos de minério de US$ 88,2 por tonelada e volume vendido de 83 milhões de toneladas, contra 85,997 milhões de toneladas no terceiro trimestre do ano passado. O banco estima ainda um Ebitda em torno de US$ 900 milhões para a VBM, com queda nos volumes vendidos de cobre e aumento de custos em decorrência de manutenções programadas de cobre em Sossego e níquel, no Canadá, além de ganhos mais baixos com subprodutos — atualmente a Vale tem ouro, cobalto, paládio e platina como subprodutos. Esse movimento, segundo os analistas, deve ser parcialmente compensado por preços maiores de cobre. O Citi, que projeta Ebitda de US$ 10,466 bilhões no terceiro trimestre, estima que o indicador deve refletir os impactos dos preços menores do minério de ferro e do níquel. O banco projeta uma produção de minério de ferro de 89 milhões de toneladas entre julho e setembro, o que significaria uma queda de 5,72% ante as 94,403 milhões de toneladas de igual período do ano passado. “A projeção para 2026 situa-se no limite inferior da faixa e exigirá uma recuperação no 4º trimestre”, diz o relatório do Citi sobre a estimativa de produção de minério de ferro deste ano, que é de um volume na faixa entre 335 milhões de toneladas e 345 milhões de toneladas. Para a VBM, a expectativa do Citi é de mais um “trimestre forte”, com Ebitda em torno de US$ 1 bilhão, “com preços mais elevados compensando a manutenção planejada durante o trimestre” no cobre. No caso do níquel, o banco prevê que o resultado no terceiro trimestre voltará a ficar mais próximo do ponto de equilíbrio, dado o nível mais baixo dos preços. A Ativa Corretora, em relatório assinado por Ilan Arbetman, afirma que o Ebitda projetado, de US$ 3,557 bilhões, significa uma queda de 19% ante o terceiro trimestre do ano passado. No minério de ferro, segundo o analista, a queda vem do preço, uma vez que a projeção da casa de análise para as vendas aponta uma alta de 6%, mas o preço realizado previsto, de US$ 88,5 por tonelada, significaria um recuo de 6,25% frente ao terceiro trimestre do ano passado. Além disso, a Ativa estima que o custo caixa C1 será de US$ 23,6 por tonelada, “acima do teto do ‘guidance’ projeção”, que é de US$ 22,5 a US$ 23,5 por tonelada. A média para a receita líquida projetada inclui cinco bancos e corretoras e aponta para um montante de R$ 10,345 bilhões no terceiro trimestre, 0,72% a menos que em igual período do ano passado Divulgação/Vale

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