Brasileiro que comprou Uniswap no Mercado Pago tem R$ 2,7 milhões bloqueados após tentar vender na alta

Um investidor brasileiro acionou o Poder Judiciário para liberar quase R$ 3 milhões retidos pelo banco do Mercado Livre, o Mercado Pago, após negociações com a criptomoeda Uniswap (UNI). A juíza Samantha Ferreira Barione, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), intimou a instituição financeira, conforme atualização nesta segunda-feira (19), a comprovar a existência de falhas no sistema para justificar o bloqueio. O autor da ação realizou operações de compra e venda do token nos dias 10 e 11 de novembro de 2025 dentro do aplicativo. As transações resultaram em um saldo líquido de R$ 2,74 milhões em moeda nacional, além da posse de 135,4 mil unidades de Uniswap na carteira. A plataforma processou e liquidou as ordens, mas bloqueou a conta do cliente três dias depois sob a alegação de erro de cotação. Diante do impasse, o usuário abriu um processo para exigir a devolução dos valores atualizados por 105% do CDI e o acesso às criptomoedas. “Alega, em síntese, que as operações de compra e venda do criptoativo Uniswap (UNI), realizadas nos dias 10 e 11 de novembro de 2025, foram regularmente processadas, aprovadas e liquidadas pela plataforma da requerida; que o produto das operações foi convertido em moeda corrente e creditado em sua conta; que continuou utilizando normalmente os recursos nos dias subsequentes; e que, somente posteriormente, a requerida promoveu o bloqueio ou encerramento da conta, sob a alegação de erro de cotação”, diz trecho apresentado pela defesa em processo a que reportagem obteve acesso. Justiça nega liberação imediata de valores, mas cobra provas técnicas do banco Na decisão da sexta-feira (16), a magistrada negou o pedido de liminar para o desbloqueio imediato dos recursos antes da manifestação formal da empresa. O juízo apontou que a liberação antecipada de uma quantia tão expressiva traria risco de irreversibilidade ao processo. Apesar da recusa provisória, a titular da vara destacou que os comprovantes anexados pelo investidor conferem plausibilidade às reclamações. O cliente chegou a movimentar o dinheiro convertido em reais por alguns dias antes de sofrer o travamento repentino do aplicativo. Por conta disso, a Justiça determinou que o Mercado Pago apresente em sua defesa todos os relatórios de execução, horários e critérios de preço daquelas datas. A instituição terá de provar com documentos técnicos a ocorrência de pane sistêmica capaz de invalidar os negócios fechados pelo usuário. “Essas circunstâncias conferem plausibilidade à tese deduzida e justificam que a requerida seja chamada a apresentar, de forma objetiva e documentalmente demonstrável, os fundamentos técnicos que determinaram a posterior desconstituição das operações e a retenção dos ativos.” — Samantha Ferreira Barione, Juíza de Direito. Antes dessa etapa, o autor tentou obter o benefício da justiça gratuita sob o argumento de que todo o seu patrimônio estava preso. O tribunal rejeitou a isenção por entender que o giro milionário no mercado financeiro afasta a presunção de pobreza, mas autorizou o parcelamento das custas em doze vezes. Com o fracasso da audiência de conciliação realizada no início de outubro no processo analisado pela reportagem, a disputa milionária segue agora para a coleta e análise de provas na Justiça sul-mato-grossense. Investidores de várias cidades relataram falhas similares pelo Reclame Aqui O problema enfrentado no Mato Grosso do Sul não foi um episódio isolado entre os clientes da instituição de pagamentos em novembro de 2025. Uma apuração da reportagem do Livecoins encontrou pelo menos sete queixas semelhantes registradas no portal Reclame Aqui durante aquele mesmo período. Os relatos partiram de moradores de cidades de São Paulo (Guarujá, Mococa e Sorocaba), Paraná (São José dos Pinhais), Minas Gerais (São Sebastião do Paraíso), Santa Catarina (Florianópolis) e Rio de Janeiro (Volta Redonda). As reclamações descrevem o congelamento de saldos, o estorno de lucros no chamado Cofrinho e a impossibilidade de vender o token Uniswap durante o pico de valorização. Em municípios paulistas como Sorocaba, Guarujá e Mococa, usuários denunciaram prejuízos financeiros provocados pela instabilidade da ferramenta no momento da alta. Já em Volta Redonda e Florianópolis, correntistas acusaram o aplicativo de reverter operações concluídas e trancar o acesso ao dinheiro sem aviso prévio. Mercado Pago atribuiu suspensão de negociações à parceira Paxos Nas respostas enviadas aos consumidores pelo Reclame Aqui no fim de novembro de 2025, a empresa culpou uma parceira externa pela paralisação dos serviços. A companhia afirmou que a compra e a venda do criptoativo ficaram suspensas por causa de uma instabilidade na provedora global Paxos. “Durante os últimos dias, as operações de compra e venda de Uniswap (UNI) estiveram suspensas devido à instabilidade do provedor de criptomoedas Paxos. Pedimos desculpas por qualquer inconveniente que isso possa ter causado.” — Equipe Mercado Pago. Além de apontar a falha da fornecedora de liquidez, o banco digital defendeu os bloqueios de contas como procedimentos de validação de segurança e análise de risco. A empresa argumentou ainda que atua como intermediária na custódia e se isentou de culpa pelas oscilações de preço do mercado de criptomoedas, no comunicado aos clientes que apresentaram problemas pelo Reclame Aqui. Fonte: Brasileiro que comprou Uniswap no Mercado Pago tem R$ 2,7 milhões bloqueados após tentar vender na alta Veja mais notícias sobre Bitcoin. Siga o Livecoins no Facebook, Twitter, Instagram e YouTube.

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