A equipe econômica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliou que o Tesouro Nacional deverá aumentar as emissões de títulos públicos de maneira gradual e cautelosa, à medida que as condições de mercado se normalizem. Embora o mercado já esteja funcional após as intervenções do órgão, a liquidez e a profundidade das negociações ainda não foram plenamente restabelecidas, e o Tesouro ainda não está testando a capacidade do mercado de absorver volumes maiores de emissões. O estresse no mercado foi provocado pelo resultado da eleição presidencial, na qual Lula derrotou Flávio Bolsonaro em uma virada histórica. Para contribuir para a normalização, o Tesouro precisou atuar diretamente, por meio da recompra de títulos públicos, como prefixados e atrelados à inflação. Ao todo, foram R$ 31,6 bilhões em recompras. Na segunda-feira (26) após o segundo turno, o órgão recomprou R$ 14,81 bilhões em papéis; na terça-feira (27), fez uma nova operação, com a recompra de R$ 16,79 bilhões, o terceiro maior volume da história, atrás apenas de março de 2020 e março de 2026. O Tesouro retomou gradualmente as emissões de títulos públicos, ainda que com ofertas reduzidas, monitorando com cautela a recuperação das condições de mercado antes de voltar ao ritmo habitual. A equipe econômica considera que o mercado ficou 'bastante machucado' e que a cicatrização leva tempo, mas que sem a atuação do Tesouro, os efeitos da turbulência poderiam ter sido mais graves. A sinalização sobre os rumos da política econômica pode contribuir para a recuperação do mercado, reduzindo incertezas. Em relação à trajetória da dívida pública, a avaliação é que um pacote fiscal bem recebido pelo mercado poderia contribuir para antecipar marginalmente sua estabilização e favorecer uma queda mais rápida do endividamento nos anos seguintes, embora o impacto no curto prazo seja limitado. O governo estuda medidas para melhorar a trajetória das contas públicas, que ainda serão submetidas à avaliação do presidente Lula. Uma nova reação adversa preocupa os agentes econômicos pelo risco de pressionar a cotação do dólar e, consequentemente, a inflação, atrasando o processo de queda dos juros no país, em um cenário de desaceleração do crescimento econômico esperado para o próximo ano.
CryptoAlerta — análise de criptomoedas e mercado em tempo real