Na semana passada, Donald Trump eliminou as tarifas sobre importações de certos maquinários e de alguns insumos industriais, como papel e madeira compensada, e as impôs sobre as de canoas e caixões, em uma última tentativa direcionada para salvar o assento do Estado no Senado para a republicana Susan Collins nas eleições parlamentares de meio de mandato nos Estados Unidos da próxima terça-feira (3/11). Collins, cujo apoio à agenda de Trump torna sua atuação como republicana moderada cada vez mais risível, já foi alvo de zombarias por se vangloriar de ter conseguido convencer Trump a isentar das tarifas o sal de degelo usado em estradas. Embora as tarifas sejam um contribuinte direto significativo para o aumento dos preços ao consumidor e claramente impopulares, elas também se tornaram uma espécie de bode expiatório contra o qual os eleitores podem direcionar o descontentamento geral com o custo de vida e com o próprio Trump. As tarifas são uma linha de ataque básica nos comerciais de campanha dos democratas. As estimativas mais recentes do Budget Lab da Universidade Yale indicam que o impacto no médio prazo das tarifas sobre os preços gerais ao consumidor será de 0,7%, levando‑se em conta a mudança dos consumidores para itens mais baratos. O custo das tarifas em relação à renda mediana das famílias, após impostos, também será de 0,7%. O Budget Lab destaca que as tarifas elevaram muito os preços em algumas categorias, como a de automóveis, em 2,8%, e a de roupas e calçados, em 3,3%. No entanto, os preços de alimentos foram bem menos afetados, com aumento de 0,7%.
A decisão do Congresso de aprovar ou rejeitar as propostas de tarifas de Trump nas próximas sessões legislativas, com votação prevista para a segunda quinzena de novembro, definirá o desfecho desse cenário. O resultado das eleições de meio de mandato em 3 de novembro, que decidirá a maioria do Senado, também será decisivo para a continuidade ou alteração das políticas tarifárias.
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