A economia da Coreia do Sul cresceu 1,0% no período de julho a setembro em relação ao trimestre anterior, impulsionada pelo avanço frenético de produtos tecnológicos liderado pela inteligência artificial. O desempenho ficou praticamente em linha com a previsão média de crescimento de 0,89% feita por 13 economistas consultados pela Infomax, braço de informações financeiras da agência de notícias Yonhap. Uma estimativa preliminar do Banco da Coreia, divulgada na terça-feira, mostrou expansão no terceiro trimestre em relação ao trimestre anterior, após um crescimento de 0,6% no segundo trimestre. A economia cresceu 1,8% no primeiro trimestre deste ano. A quarta maior economia da Ásia registrou aumento de 2,3% nas exportações, impulsionada pelos fortes embarques de semicondutores, máquinas e equipamentos elétricos. O investimento em instalações avançou 4,1%, com a adição de equipamentos para fabricação de chips. Em um sinal potencialmente preocupante para o estado geral da economia, o consumo privado caiu 0,2%, com as famílias reduzindo as compras de bens e serviços. O consumo do governo, por sua vez, subiu 1,9%. As autoridades sul-coreanas apontaram a inflação e o crescente endividamento das famílias como grandes preocupações. O banco central decidiu na semana passada manter a taxa básica de juros em 3,0%, observando que a inflação permanece acima do desejado, em torno de 3%. O Banco da Coreia prevê que a economia continuará em trajetória ascendente, afirmando que "as exportações e os investimentos devem manter seu alto crescimento, impulsionados por um forte setor de semicondutores, enquanto a recuperação do consumo provavelmente se acelerará gradualmente". No entanto, também mencionou riscos à estabilidade financeira, como a disparada dos preços dos imóveis na região de Seul e o aumento do endividamento das famílias. A queda no consumo privado divulgada na terça-feira é um "resultado direto" da alta taxa de juros, segundo Song Soo-young, professor de economia da Universidade Chung-Ang, em Seul. "Enquanto o Banco da Coreia mantiver sua postura restritiva, a maioria da indústria e dos consumidores sofrerá com as altas taxas de juros e a falta de melhoria em suas rendas. Os super-ricos, assim como empresas como a Samsung Electronics e a SK Hynix, estão se saindo bem, mas a tendência geral de consumo permanecerá fraca por enquanto", disse Song ao “Nikkei Asia”. No entanto, é provável que o banco central aumente a taxa básica de juros na próxima reunião, em novembro, afirmou John Bromhead, economista sênior da Moody's Analytics. "É improvável que o Banco da Coreia se deixe dissuadir pelo fraco consumo numa economia com bom desempenho e inflação elevada", escreveu Bromhead em um relatório. "O resultado mais forte do PIB divulgado na terça-feira reforça a necessidade de manter a política monetária restritiva, principalmente porque as pressões sobre os preços ainda não diminuíram de forma convincente", escreveu Bromhead. O presidente sul-coreano, Lee Jae-myeung, viu seus índices de aprovação caírem nos últimos meses devido ao crescente descontentamento com as condições econômicas, em particular com suas políticas imobiliárias. Em junho do ano passado, Lee introduziu restrições mais rígidas sobre o valor que os potenciais compradores podem tomar emprestado com base no valor de um imóvel. Seu governo explicou que as medidas visavam ajudar a conter o endividamento das famílias, impedindo que os compradores contraíssem empréstimos excessivos para financiar a compra de imóveis. Mas, desde que as medidas entraram em vigor, os preços dos apartamentos em Seul continuaram a subir, embora em ritmo mais lento recentemente. Grupos da sociedade civil culpam as políticas pelo agravamento da instabilidade habitacional, argumentando que os imóveis para alugar e os contratos de curto prazo se tornaram cada vez mais inacessíveis. Os benefícios do “estouro” da inteligência artificial não estão, no momento, impulsionando uma melhora significativa nas condições de vida das famílias. "O poder de compra das famílias permanece limitado pelo crescimento salarial moderado e pelas elevadas pressões inflacionárias do lado da oferta, incluindo as decorrentes dos preços persistentemente altos do petróleo", afirmou o Instituto de Desenvolvimento da Coreia (KDI), um centro de estudos estatal, em seu relatório mensal de outubro. "Os benefícios da recuperação econômica ainda não chegaram às famílias de forma mais ampla", disse o KDI. As duas principais fabricantes de chips do país, Samsung Electronics e SK Hynix, devem anunciar seus resultados do terceiro trimestre esta semana.
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