Após um ano marcado por relativa resiliência do real, a moeda brasileira voltou a sofrer pressão no fim de outubro com o aumento da percepção de risco doméstico, levando a XP a revisar suas projeções para o câmbio e reforçar que a trajetória fiscal será o principal determinante para o desempenho do real nos próximos trimestres. Em relatório da economista Luíza Pinese, a casa passou a projetar o dólar a R$ 5,30 no fim de 2026 e a R$ 5,50 ao término de 2027, ante estimativas anteriores de R$ 5,00 e R$ 5,30, respectivamente. A XP destaca que, apesar da volatilidade ter permanecido relativamente comportada durante boa parte do ano eleitoral, o mercado passou por uma forte reprecificação nas últimas semanas. Após acumular valorização próxima de 10% até meados de outubro, o real perdeu força e voltou a níveis semelhantes aos observados no início de 2026, refletindo o aumento dos prêmios de risco associados ao Brasil. Segundo a instituição, o cenário-base considera um ambiente global praticamente estável e uma situação fiscal doméstica ainda pressionada, mas sem deterioração adicional. Nesse contexto, o dólar encerraria 2027 em R$ 5,50. O estudo ressalta, porém, que a trajetória da moeda pode variar significativamente. Em um cenário mais favorável, com melhora da credibilidade fiscal no Brasil, redução dos prêmios de risco e enfraquecimento do dólar no exterior, a taxa de câmbio poderia recuar para R$ 4,80 por dólar até o fim de 2027. Já em uma hipótese mais pessimista, que combina estresse fiscal doméstico e juros mais altos nos Estados Unidos, a cotação poderia chegar a R$ 6,10. Mantido o cenário global, os cenários domésticos variam de R$ 5,20, caso a credibilidade fiscal melhore, a R$ 5,70, caso o risco fiscal aumente. Entre os fatores que mais influenciam o comportamento do real, a XP destaca o dólar global, os preços das commodities, o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, além de indicadores de risco como o CDS brasileiro e as taxas de juros de longo prazo. Pelas estimativas da casa, uma valorização de 1% do dólar global implica depreciação semelhante do real, enquanto uma alta de 10% nas commodities tende a fortalecer a moeda brasileira em cerca de 2,4%. Leia também Ibovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa sobe e testa os 168 mil pontos após manutenção da Selic Índices futuros dos EUA operam mistos em meio à repercussão eleitoral A economista da XP observa que, ao longo da maior parte de 2026, os fatores domésticos contribuíram para a valorização do real, impulsionados por juros elevados e prêmios de risco relativamente controlados. No entanto, a aversão ao risco observada no fim de outubro anulou boa parte desse movimento, com a abertura do CDS brasileiro e a alta das taxas de juros longas cancelando os ganhos anteriores. Para a XP, embora exista espaço para uma piora adicional, os indicadores de risco do Brasil já se encontram próximos de níveis observados em períodos de forte estresse, como o fim de 2024 e o início de 2016. Isso faz com que o potencial de melhora seja, atualmente, maior do que o espaço para deterioração dentro dos cenários considerados pelo banco. Ainda assim, a instituição alerta que o ambiente externo segue desafiador. Os juros dos Treasuries permanecem nos maiores níveis em décadas e podem continuar limitando uma apreciação mais forte do real. Além disso, uma eventual valorização adicional do dólar ou recuo das commodities poderia pressionar a moeda brasileira. Por outro lado, a XP avalia que as contas externas continuam funcionando como um importante amortecedor. Nos 12 meses encerrados em setembro de 2026, o Brasil recebeu US$ 88,3 bilhões em investimento estrangeiro direto, valor superior ao déficit em conta corrente de US$ 60 bilhões no período, o que ajuda a sustentar o fluxo de dólares e limitar movimentos mais intensos de desvalorização do real. The post XP vê dólar a R$ 5,50 em 2027 e diz que rumo do real dependerá do cenário fiscal appeared first on InfoMoney.
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