Em debates internos no governo federal, interlocutores do mercado financeiro têm alertado a equipe econômica sobre o risco de repetir a experiência de 2024, quando o pacote de ajuste fiscal anunciado frustrou as expectativas e provocou forte alta do dólar, que chegou a ultrapassar R$ 6. O alerta, apurado pelo Valor Econômico, coincide com argumentos dentro do Executivo que defendem avançar em medidas estruturais de controle de gastos, inclusive sobre despesas obrigatórias. Grupos ligados à ala política do PT resistem a medidas que possam ser vistas como estelionato eleitoral. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda precisa ser convencido sobre a amplitude das mudanças, que serão decisivas para a credibilidade do governo no início do novo mandato. A Selic encontra‑se em 13,75% e o Copom se reunirá novamente na próxima semana. Entre as propostas em discussão estão limites para determinadas despesas, mira no centro da meta fiscal, ampliação do contingenciamento de gastos obrigatórios e perpetuação de gatilhos que limitam o crescimento de alguns gastos. O déficit primário acumulado em 12 meses foi de R$ 49,5 bilhões (0,38% do PIB). Caso as medidas sejam efetivas, poderiam reduzir parte da pressão, mas um pacote focado apenas nesses instrumentos seria insuficiente para reverter indicadores como câmbio e juros. O dólar fechou a semana em R$ 5,44, alta de 9,04% em relação à semana anterior, a maior alta semanal desde a crise de 2008. Nos nove meses de 2026, a Previdência registrou déficit de R$ 303,2 bilhões, apontada como a principal pressão sobre as contas públicas.
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