O Barclays está eliminando 5 mil postos de trabalho para reduzir custos por meio do uso de inteligência artificial. O banco é a mais recente grande instituição financeira a realizar cortes em seu quadro de funcionários, à medida que a nova tecnologia se espalha pelo setor bancário. O número de vagas eliminadas equivale a cerca de 5% do total de funcionários do banco, sediado em Londres. Aproximadamente 60% das reduções ocorrerão em funções de suporte, incluindo cargos de desenvolvedor. Esse total já contempla 1mil postos que o banco eliminou no primeiro semestre. A medida faz parte dos esforços do Barclays para conter despesas, após o registro de custos acima do esperado no início deste ano. O banco britânico junta-se ao HSBC e ao Standard Chartered na adoção de IA e automação — um dos sinais mais claros, até o momento, de como a nova tecnologia está transformando o trabalho bancário tradicional. O HSBC avalia a possibilidade de eliminar até 20 mil cargos nos próximos anos, enquanto o Standard Chartered planeja reduzir em mais de 15% as vagas em funções corporativas até 2030. Crescem os indícios de que a IA está se disseminando pelas instituições financeiras. Nesta quarta-feira (22), o CEO do Deutsche Bank, Christian Sewing, afirmou que a instituição está utilizando IA para aumentar a eficiência e aprimorar controles. “Vamos empregar IA em larga escala”, disse o CEO do Barclays, CS Venkatakrishnan, em uma teleconferência com jornalistas. “Mas a IA é a cereja do bolo, não o bolo em si.” Essa reestruturação fará com que o banco gaste cerca de 600 milhões de libras este ano — aproximadamente o dobro de uma estimativa anterior — visando reduzir custos futuros. Os investidores reagiram negativamente às despesas apresentadas no balanço semestral, apesar de um novo programa de corte de custos ter sido anunciado em fevereiro. Ao final de 2025, o Barclays contava com cerca de 93 mil funcionários em todo o mundo. “As mudanças que estamos implementando no terceiro e quarto trimestres deste ano são significativas”, afirmou Anna Cross, diretora financeira (CFO) do Barclays, em uma teleconferência com analistas. “Elas estão relacionadas tanto à simplificação da organização quanto a alguns dos impactos que já começamos a observar decorrentes da inteligência artificial.” O banco manteve suas metas para os próximos anos — com despesas operacionais dentro do esperado para o trimestre — e anunciou um programa de recompra de ações no valor de libras 500 milhões. Banco de investimento O Barclays anunciou cortes de vagas ao divulgar resultados mistos em sua divisão de banco de investimento referentes ao terceiro trimestre. A receita proveniente de negociações em renda fixa e câmbio caiu 19% em relação ao ano anterior, totalizando 1,01 bilhão de libras (US$ 1,4 bilhão) — um resultado abaixo das expectativas dos analistas compiladas pela Bloomberg. Por outro lado, a área de negociação de ações (equities) registrou um salto de 47% na receita, alcançando um patamar quase equivalente ao da renda fixa e câmbio; foi o melhor desempenho do setor desde, pelo menos, 2009 — ano seguinte à aquisição, pelo Barclays, das operações americanas do Lehman Brothers. O banco explicou que o resultado em renda fixa refletiu uma menor atividade dos clientes nos segmentos de taxas e crédito, além de “adversidades adicionais em setembro, decorrentes do cenário macroeconômico”. Em uma teleconferência com jornalistas, Venkatakrishnan classificou o desempenho na área de renda fixa e câmbio (FICC) como “um tanto decepcionante”. No geral, a divisão de banco de investimento do Barclays ficou ligeiramente abaixo das expectativas, com uma receita total de 3,13 bilhões. O braço de varejo do Barclays não conseguiu compensar essa fraqueza: a unidade de varejo no Reino Unido manteve-se praticamente estável, enquanto a divisão de consumo nos EUA também não apresentou variação significativa em relação ao ano anterior, ficando abaixo das estimativas. “Um desempenho decepcionante por parte do Barclays”, avaliou Ed Firth, analista do setor bancário britânico na Keefe Bruyette & Woods. Instituições concorrentes, incluindo JPMorgan Chase & Co., Goldman Sachs Group Inc. e Bank of America Corp., observaram tendências semelhantes em suas mesas de renda fixa, onde a receita recuou até 17% na comparação anual. O setor enfrentou os impactos da elevação das taxas de juros, que podem reduzir o valor de dívidas já existentes e restringir a demanda dos clientes por novas transações. Bancos britânicos preparam-se para um aumento nos impostos sobre seus lucros, medida que deve integrar o orçamento a ser apresentado pelo governo trabalhista na próxima semana. A arrecadação obtida seria utilizada para financiar medidas de alívio ao custo de vida das famílias.
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