Mercado revisa juros nos EUA; Fed pode vender treasuries, diz analista

O mercado revisou drasticamente suas expectativas para a taxa básica de juros norte-americana, projetando agora uma alta na reunião de setembro do Federal Reserve, em contraste com as previsões anteriores de cortes para 2026 e início de 2027. Esta guinada, conforme o sócio da One Investimentos, Rodrigo Alvarenga, indica uma postura monetária significativamente mais hawkish. Uma elevação inesperada dos juros nos EUA aumenta o custo de capital global, valoriza o dólar e retira liquidez, pressionando ativos de risco e mercados emergentes. Ativos como ETFs de tecnologia (QQQ), criptoativos (BTC) e títulos de longo prazo (TLT) são negativamente impactados, enquanto o dólar (DXY) e bancos (JPM) podem se beneficiar. No Brasil, o aumento dos juros nos EUA pode depreciar o BRL, elevar o prêmio de risco e pressionar o IBOV, especialmente empresas endividadas e de crescimento. Historicamente, o ciclo de altas do Fed em 2018 levou a uma correção de ~20% no S&P 500, servindo de paralelo para a cautela atual. Os próximos dados de inflação e emprego nos EUA, junto com as declarações do FOMC, serão cruciais para o mercado. O horizonte de médio prazo (6-12 meses) aponta para maior volatilidade e potencial desvalorização de ativos de risco, com o dólar forte persistindo.

Análise

Nos próximos 2-4 meses, espera-se que a volatilidade aumente nos mercados de ações e cripto, especialmente se os próximos dados de inflação e emprego nos EUA reforçarem a tese de alta de juros do Fed. A confirmação de uma alta em setembro, ou qualquer sinal de venda de treasuries, poderia desencadear uma correção de 5-10% no QQQ e 10-15% no BTC, com o DXY ($100.99 hoje) buscando a faixa de 102-103.

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