Governo tenta barrar vetos que podem aumentar gastos públicos

O Planalto negocia ativamente com lideranças do Congresso, incluindo Davi Alcolumbre, para restringir a pauta da sessão de quinta-feira e barrar a derrubada de vetos presidenciais. O objetivo principal é evitar o aumento dos gastos públicos, o que poderia comprometer a disciplina fiscal do país. Tal cenário de descontrole fiscal tende a elevar o prêmio de risco exigido pelos investidores, impulsionando os juros futuros (DI1F27) e depreciando o real (USDBRL). Para o investidor brasileiro, isso significaria pressão negativa sobre empresas endividadas e setores sensíveis a juros, como varejo (MGLU3) e construção (CYRE3), além de FIIs (MXRF11). O Banco Central do Brasil poderia ser compelido a manter a taxa Selic em patamares elevados por mais tempo para conter pressões inflacionárias. Em 2015, a perda do grau de investimento do Brasil, em parte devido ao descontrole fiscal, resultou em forte desvalorização do real e queda do Ibovespa. A sessão do Congresso na quinta-feira será o gatilho imediato para a volatilidade, com o horizonte de médio prazo (3-6 meses) determinado pela capacidade do governo de manter o equilíbrio fiscal, impactando o crescimento econômico e os mercados.

Análise

Nas próximas 24-48 horas, a reação do mercado será ditada pelo resultado da negociação no Congresso e pela votação dos vetos na quinta-feira. Se os vetos caírem, espera-se uma alta de 10-20 bps nos DIs de longo prazo (DI1F27) e uma valorização do USDBRL em 1-2%. No médio prazo (1-3 meses), a capacidade de controle fiscal determinará se o BCB pode prosseguir com cortes na Selic, impactando diretamente os múltiplos das ações brasileiras.

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