Como as eleições de meio de mandato nos EUA podem afetar o governo Trump? Veja cenários

Os americanos vão às urnas nesta terça-feira (3) para as eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, as chamadas "midterms", que determinarão quem controlará o Congresso nos dois últimos anos de mandato do presidente Donald Trump. Leia também: Como funcionam e o que está em jogo nas eleições de meio de mandato nos EUA? Os democratas precisam de um saldo líquido de quatro cadeiras tanto na Câmara dos Deputados como no Senado para reverter as maiorias republicanas de 218 a 214 e 53 a 47, respectivamente. As pesquisas apontam para um favoritismo da oposição na Câmara, enquanto a disputa no Senado permanece acirrada demais para apontar um vencedor. Com o índice de aprovação de Trump no nível mais baixo de seus dois mandatos, a eleição poderá reconfigurar o poder em Washington. Ainda assim, mesmo que os democratas conquistem uma ou ambas as Casas, Trump manterá o poder de veto e amplos poderes executivos, limitando a capacidade dos democratas de transformar propostas importantes em lei. Analistas, estrategistas e economistas entrevistados pela Reuters disseram que disputas sobre a elevação do teto da dívida e o financiamento do governo são prováveis em 2027, independentemente do resultado eleitoral. A seguir estão os principais cenários e o que eles poderão significar para a presidência de Trump, o Congresso e a economia. Democratas conquistam a Câmara, mas não o Senado Maioria democrata na Câmara: de 5 a 20 cadeiras Os democratas assumem o controle das comissões da Câmara, ganham o poder de emitir intimações e passam a ter capacidade de investigar Trump e seu governo. Integrantes do governo Trump intimados pelo Congresso poderão descumprir as intimações, pois é improvável que um Departamento de Justiça comandado por indicados do presidente americano faça com que sejam cumpridas. Trump mantém o poder de veto e ampla autoridade sobre tarifas, imigração e política externa. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse em 20 de outubro que uma Câmara controlada pelos democratas poderia fazer “muito pouco” para bloquear a agenda de Trump. Os republicanos no Senado bloqueiam a maioria das prioridades democratas. Os democratas podem aprovar projetos simbólicos, destinados a marcar posição política, sobre saúde, direito ao aborto, habitação e centros de dados de inteligência artificial, mas poucos — se algum — provavelmente se tornarão lei. Disputas sobre o teto da dívida, batalhas orçamentárias e ameaças de paralisação do governo se desenham para 2027. Impacto: Os democratas podem investigar Trump e seu governo por meio de audiências e intimações, mas não alterar substancialmente as políticas públicas. Analistas esperam um confronto sobre o limite da dívida até o verão do hemisfério norte, o que poderá abalar os mercados e deixar investidores apreensivos. Trump, que nos últimos dois anos tem agido em grande medida sem passar pelo Congresso, provavelmente continuará a avançar sua agenda por meio de ordens executivas. Ampla maioria democrata na Câmara: de 21 a 40 cadeiras A liderança democrata tem mais margem para acomodar dissidências e fazer avançar as prioridades do partido. Um grupo maior de parlamentares em primeiro mandato, incluindo mais progressistas, poderá intensificar os pedidos de impeachment contra Trump. Alguns republicanos poderão se mostrar mais dispostos a romper com Trump em questões como as tarifas e a guerra com o Irã, que, segundo as pesquisas de opinião, são impopulares. Uma maioria democrata maior poderá fortalecer a posição do partido nas negociações sobre o orçamento e o teto da dívida, facilitando a obtenção de concessões dos republicanos. Com mais votos, os democratas têm caminho mais fácil para aprovar projetos sobre saúde, direito ao aborto e custo de vida, obrigando os republicanos no Senado a enfrentar votações politicamente difíceis. Impacto: Os democratas provavelmente aprovarão projetos para sinalizar que querem combater a inflação, restringir os poderes de guerra de Trump e se opor aos centros de dados. Mas grandes avanços legislativos continuam improváveis, pois os republicanos no Senado podem bloqueá-los e Trump também tem poder de veto. Trump poderá continuar governando por meio de medidas executivas, e uma disputa sobre o teto da dívida continuará provável. Hakeem Jeffries, de Nova York, pode ser o líder dos democratas na Câmara em caso de vitória nas 'midterms' Eric Lee/Reuters Democratas conquistam a Câmara, e o Senado fica dividido Os republicanos mantêm o controle do Senado porque o vice-presidente americano, J.D. Vance, é constitucionalmente o presidente da casa e pode desempatar as votações. Um pequeno grupo de senadores dispostos a contrariar seus partidos, incluindo o democrata da Pensilvânia John Fetterman e alguns republicanos moderados, poderá decidir o resultado de votações apertadas. As disputas sobre o teto da dívida e o orçamento se tornam mais imprevisíveis porque nenhum dos partidos pode se dar ao luxo de perder votos, dando a um pequeno grupo de senadores o poder de definir os termos de um acordo ou atrasá-lo. Impacto: Washington poderá ficar paralisada, com um pequeno grupo de senadores de voto oscilante determinando o resultado das disputas fiscais, judiciais e políticas. Trump deverá conseguir a confirmação de seus indicados pelo Senado com o voto de desempate de Vance, enquanto suas políticas tarifária, migratória e externa permanecerão, em grande medida, sem restrições. Democratas conquistam a Câmara e o Senado O controle do Senado poderá ter consequências maiores do que apenas o controle da Câmara, porque cabe aos senadores confirmar indicações de juízes, integrantes do gabinete presidencial e embaixadores. Maioria democrata no Senado: 2 cadeiras Os democratas passam a controlar as comissões do Senado e a pauta da casa. Eles provavelmente bloquearão muitas das indicações de Trump para o Judiciário e poderão tentar adiar o preenchimento de qualquer vaga na Suprema Corte dos EUA até depois da eleição presidencial de 2028. Os republicanos provavelmente acelerarão as confirmações antes da posse do novo Congresso, em janeiro. Trump mantém o poder de veto e a autoridade executiva. A aprovação de grandes propostas continua difícil porque a maioria dos projetos exige 60 votos para superar o filibuster, um mecanismo de obstrução do Senado que permite ao partido minoritário bloquear ou adiar propostas legislativas. O controle das duas casas dá aos democratas maior poder de barganha nas negociações sobre o teto da dívida e o orçamento, embora o risco de impasses fiscais continue significativo. Impacto: Os democratas ganham um importante instrumento de controle sobre as nomeações de Trump, mas as margens apertadas, o mecanismo de obstrução e o veto presidencial limitam grandes avanços legislativos. Maioria democrata no Senado: de 4 a 6 cadeiras A liderança fica menos dependente de senadores individuais e pode acomodar algumas dissidências. Os democratas têm mais chances de aprovar projetos sobre tarifas, centros de dados, saúde, custo de vida e limites aos poderes presidenciais de guerra, obrigando Trump a vetá-los. Essas disputas em torno dos vetos ajudam os democratas a definir os temas da campanha de 2028. As confirmações de indicados ao Judiciário praticamente param. Impacto: Os democratas têm mais chances de aprovar projetos que respondam às preocupações dos eleitores com os preços elevados, os custos da saúde e os centros de dados, aumentando a pressão sobre os republicanos. Mas Trump mantém o poder de bloquear a maioria das propostas legislativas importantes. Com uma maioria maior, os eleitores provavelmente cobrarão dos democratas respostas às suas preocupações econômicas, além da oposição a Trump. Trump ganha um adversário político com quem dividir a culpa pelas falhas de Washington e a quem poderá atribuir os problemas econômicos e os preços elevados, alegando que os democratas agora são, no mínimo, igualmente responsáveis pela situação da economia. J. D. Vance durante comício em Ohio: vice-presidente tem voto de minerva em caso de Senado dividido entre republicanos e democratas Tom Brenner/Reuters Republicanos mantêm controle da Câmara e do Senado Embora improvável, considerando o número de republicanos da Câmara que disputam a reeleição em situação vulnerável, esse cenário continua possível. Impacto: Trump e os republicanos reivindicariam um mandato renovado para seus dois últimos anos no poder. Com a Presidência e as duas casas do Congresso sob controle do mesmo partido, um Trump fortalecido enfrentaria poucas restrições do Legislativo e continuaria avançando com suas indicações ao Judiciário e outras nomeações. O risco de grandes confrontos sobre o orçamento, paralisações do governo e o teto da dívida seria reduzido.

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