A Safra Asset projeta um ciclo de aperto monetário nos Estados Unidos, com a primeira elevação das taxas de juros esperada para setembro, seguida por novas altas em dezembro e março. Essa perspectiva de juros mais elevados nos EUA tende a aumentar o diferencial de rendimento a favor do dólar, reduzindo a atratividade de investimentos em mercados emergentes como o Brasil e impulsionando a saída de capital. A valorização do dólar frente ao real pressiona negativamente ações de empresas endividadas em moeda estrangeira e aumenta a atratividade de títulos do Tesouro americano (TLT). No Brasil, a fuga de capital pode desvalorizar o BRL, elevando a inflação importada e forçando o Banco Central a manter a Selic em patamar elevado, impactando negativamente ativos locais de renda variável (EWZ) e FIIs. Bancos centrais de mercados emergentes, incluindo o Banco Central do Brasil, podem ser compelidos a adotar posturas mais hawkish para defender suas moedas e conter a inflação. Historicamente, ciclos de aperto do Fed como o de 2015-2018 resultaram em desvalorização do BRL de aproximadamente 20% e pressão sobre o Ibovespa no período. O próximo dado a monitorar será a ata da reunião do FOMC de julho e os dados de inflação e emprego dos EUA nas próximas semanas, que podem confirmar ou mitigar essa expectativa de aperto. No médio prazo, o cenário aponta para uma realocação global de portfólios para ativos de menor risco em dólar, mantendo a pressão sobre moedas de mercados emergentes e commodities.
Nas próximas 4-8 semanas, a expectativa de alta de juros nos EUA deve manter o DXY ($100.80 hoje) em patamar elevado, com potencial de testar 101.50-102.00. O USDBRL (R$5.1063 hoje) pode se aproximar de R$5.20-5.25. Um gatilho para a aceleração dessa tendência seria um CPI americano acima do esperado em agosto, confirmando a necessidade de aperto.
CryptoAlerta — análise de criptomoedas e mercado em tempo real