O Tesouro Nacional realizou ontem o maior leilão de NTN-Bs desde abril, vendendo todo o lote de 1.2 milhão de papéis e movimentando mais de R$ 5 bilhões. A forte demanda refletiu o vencimento recorde de aproximadamente R$ 260 bilhões em títulos na segunda-feira, liberando capital para reinvestimento em novas emissões. Este evento sinaliza que, apesar da insatisfação com a política fiscal e as incertezas externas, o mercado encontra valor nos juros reais oferecidos pelas NTN-Bs. Consequentemente, ativos atrelados à inflação e FIIs de CRI, como KNCR11 e MXRF11, podem ver sua atratividade reforçada. Para o investidor brasileiro, o sucesso do leilão pode reduzir o prêmio de risco percebido para o Ibovespa (BOVA11) e potencialmente estabilizar o Real (USDBRL) no médio prazo. Historicamente, após grandes vencimentos de dívida e injeções de liquidez, como visto em 2016, a demanda por títulos públicos tende a se recuperar. A próxima divulgação do IPCA e as decisões de juros do FOMC (16 de setembro) e Copom serão cruciais para a curva de juros. No horizonte de médio prazo, a demanda por NTN-Bs deve permanecer robusta se a política fiscal não deteriorar, oferecendo retornos reais atraentes.
Nas próximas 4-6 semanas, a demanda por NTN-Bs deve permanecer estável, com os juros reais se estabilizando em patamares atrativos. O payroll dos EUA em 4 de setembro e a decisão do FOMC em 16 de setembro serão cruciais para a curva de juros global e, por extensão, a local. A sustentação da demanda por NTN-Bs dependerá da percepção de que o prêmio de risco atual compensa as incertezas fiscais e do controle da inflação doméstica.
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