O governo japonês anunciará em novembro uma reformulação das regras de compras isentas de impostos para turistas estrangeiros, substituindo o modelo de isenção imediata por um sistema de reembolso. Conforme as novas normas, os visitantes deverão pagar o preço total, incluindo impostos, no momento da compra. O reembolso do imposto sobre o consumo só será processado após a apresentação do passaporte em um terminal no porto ou aeroporto e a confirmação de que os itens elegíveis estão sendo levados para fora do país, podendo haver inspeção alfandegária. A medida visa coibir a revenda de produtos adquiridos sem impostos dentro do Japão, prática em que a alfândega não conseguiu confirmar a saída do país para compras acima de 100 milhões de ienes. Simultaneamente, o governo eliminará o limite diário de 500 mil ienes (US$ 3.160) por loja para compras isentas de impostos de bens de consumo como alimentos, produtos farmacêuticos e cosméticos, mantendo o valor mínimo de 5 mil ienes para a isenção. Um representante da Associação de Lojas Isentas de Impostos do Japão (Japan Tax-Free Shop Association) previu que isso "levará a um gasto maior por cliente e a mais oportunidades de vendas", com a eliminação da necessidade de lacrar produtos. Yoshio Murata, presidente da rede de lojas de departamento Takashimaya, afirmou que a mudança significará "menos trabalho na área de vendas". Contrariamente, há receios de que o novo processo crie uma "barreira psicológica" para os consumidores. Keiichi Ono, presidente da J. Front Retailing, alertou que "o processo complexo pode ter um impacto negativo nas compras". A Novarca, consultoria de marketing, estima uma redução de cerca de 10% nas vendas isentas de impostos em lojas de departamento, principalmente devido à saída de revendedores. Akihiro Takiguchi, presidente da Rasin, revendedora de relógios de luxo de segunda mão, que tem 30% de suas vendas para compradores estrangeiros, projeta uma queda de aproximadamente 18% nas vendas isentas de impostos nos seis meses até fevereiro. Cerca de 64 mil lojas no Japão que oferecem isenção fiscal precisarão se adaptar à reformulação, que entrará em vigor no ano fiscal de 2025.
A clareza sobre o impacto real das novas regras de isenção de impostos no Japão surgirá após sua implementação em novembro, com a divulgação dos dados de vendas do varejo e do fluxo de turistas nos meses seguintes. Será crucial observar os relatórios de resultados de empresas como Takashimaya e J. Front Retailing para o primeiro trimestre fiscal de 2025 (a partir de março de 2025), que refletirão o período pós-mudança, e as declarações da Agência de Turismo do Japão sobre o perfil de gastos dos visitantes.
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