A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira a nona fase da Operação “Unha e Carne”. Essa nova fase visa apurar a atuação de suposta organização criminosa com ramificações voltadas à lavagem de dinheiro, ocultação patrimonial e utilização de pessoas físicas e jurídicas para dissimulação da propriedade de bens e valores. Policiais cumprem quatro mandados de busca e apreensão em endereços localizados na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. As ordens judiciais foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A PF detalhou que buscas estão sendo realizadas em salas comerciais. Essas são apontadas como estruturas operacionais e administrativas do grupo investigado, bem como em imóvel residencial vinculado a um dos principais operadores identificados nas apurações policiais. As medidas buscam a arrecadação de documentos, dispositivos eletrônicos, registros contábeis e demais elementos de prova relacionados à investigação, detalhou a Polícia. A PF não revelou nomes envolvidos da nona fase da operação. No entanto, o jornal “Bom dia Rio”, da TV Globo, apurou que endereços alvos, da ação de hoje, teriam relação com sobrinho do bicheiro “Adilsinho” apontado como um dos principais operadores de suposto esquema de lavagem de dinheiro; e com pastor Márcio Poncio, pastor evangélico, empresário do setor de tabaco, líder da Igreja da Nuvem. No momento, ele está em prisão domiciliar, tendo sido detido em fase anterior da mesma operação “Unha e Carne.” O Valor não conseguiu contato até o momento com as defesas dos citados. Na prática, pontuou a PF, a nova fase da operação foi deflagrada após análise de dados extraídos de aparelho celular apreendido com um dos investigados na quinta fase. As informações revelaram novos endereços, estruturas empresariais e ativos patrimoniais supostamente utilizados pelo grupo na administração, ocultação e movimentação de recursos financeiros. As investigações da PF apontaram indícios da existência de “complexa rede patrimonial composta por imóveis de alto padrão, aeronaves executivas, veículos de luxo e empresas registradas em nome de familiares, colaboradores próximos e terceiros formalmente desvinculados do núcleo investigado, mas que permaneceriam sob administração de integrantes da organização criminosa”, detalhou a PF, no comunicado. Nas apurações da PF, também foram constatadas a utilização recorrente de dinheiro em espécie, movimentações financeiras sem rastreabilidade compatível e o emprego de empresas nacionais e estrangeiras – inclusive sediadas em jurisdições de tributação favorecida –, além da possível utilização de entidades religiosas e holdings patrimoniais para desvinculação formal da titularidade de bens de elevado valor econômico. A operação “Unha e Carne” foi deflagrada originalmente em 3 de dezembro de 2025, tendo como alvo inicial o então deputado estadual e presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, suspeito de vazar informações sigilosas, atualmente preso - detido em fase anterior de mesma operação. Marcelo Camargo/Agência Brasil
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