Deputados democratas cobram Rubio sobre suposta ajuda do governo dos EUA a fuga de Flávio

Deputados democratas dos Estados Unidos enviaram uma carta cobrando do secretário Marco Rubio explicações sobre o papel do Departamento de Estado, caso tenha tido, em facilitar a partida do senador brasileiro Flávio Bolsonaro do Brasil e a sua entrada nos EUA. "A questão central é direta: o Departamento de Estado, a Embaixada dos EUA no Brasil ou qualquer outra agência do governo dos EUA auxiliaram o senador Bolsonaro a viajar para os Estados Unidos ou a entrar no país, apesar da suposta restrição judicial brasileira à sua partida?", questionam. Se tal assistência ocorreu, dizem, o Congresso americano precisa entender o que foi fornecido, quem a autorizou, quando ocorreu e quais informações estavam disponíveis às autoridades dos EUA no momento. Na carta, assinada por 25 deputados, eles pedem uma resposta até 13 de novembro. Os parlamentares solicitam também que o Departamento de Estado disponibilize funcionários para uma reunião de briefing com a equipe do Congresso dentro desse período. "O povo americano e o Congresso têm um interesse legítimo de supervisão em compreender se os recursos diplomáticos e de imigração dos EUA foram utilizados para facilitar a viagem de uma figura política estrangeira sob tais circunstâncias. A transparência é particularmente importante quando os eventos relatados envolvem um processo judicial estrangeiro, relações bilaterais delicadas e a aplicação consistente das políticas de imigração e diplomáticas dos EUA", afirmam. Segundo os congressistas, o que causa "particular preocupação é o fato de as notícias indicarem que um alto funcionário do Departamento de Estado afirmou que os Estados Unidos emitiriam vistos para o senador Bolsonaro e membros de sua família, permitindo-lhes a entrada no país". Na terça-feira, antes de Flávio chegar aos EUA, uma autoridade do governo Trump informou que o Departamento de Estado emitiria vistos para o senador, sua esposa e as duas filhas e permitiria o ingresso deles no país. A fonte não havia explicado, no entanto, a categoria do visto nem a duração. Flávio entrou nos EUA na quarta-feira com uma classe de admissão do tipo "DT", sigla que se refere a "parole" ("liberdade condicional"), isto é, uma permissão oferecida de forma discricionária pelas autoridades para a pessoa entrar e residir temporariamente nos EUA sem admissão formal, geralmente por razões humanitárias urgentes ou benefício público significativo. Ontem, uma reportagem do The New York Times apontou que Jason Miller, da equipe de comunicações da Casa Branca, teria providenciado o jato particular que levou Flávio e sua família da Argentina até Miami. O passaporte de Flávio foi cancelado antes de ele entrar nos EUA por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após ele não entregar o documento no prazo determinado pela Corte. "Esses desdobramentos levantam questões significativas sobre o processo de tomada de decisão do Departamento, o seu conhecimento da ordem do tribunal brasileiro e se algum funcionário do governo dos EUA prestou assistência antes ou depois da emissão dessa ordem", afirmam os deputados democratas.

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