Voto antecipado e pelo correio: entenda como funciona a votação nas eleições dos EUA

Mais de 54 milhões de americanos votaram de forma antecipada nas eleições de meio de mandato de 2026, as chamadas "midterms", que elegerão nesta terça-feira (3) uma nova composição da Câmara dos Representantes e do Senado, além de governadores de 36 Estados americanos. Leia também: Como funcionam e o que está em jogo nas eleições de meio de mandato nos EUA? A expectativa é que, ao final do dia de votação, mais de 100 milhões de pessoas tenham votado no país, em um pleito decisivo para os dois últimos anos de mandato de Donald Trump na Casa Branca. Os números do voto antecipado, divulgados pela Universidade da Flórida, já representam um recorde e ultrapassaram os 46 milhões registrados em 2022, nas últimas "midterms". O aumento sugere uma maior mobilização dos eleitores, embora não signifique necessariamente que a participação total será superior à registrada há quatro anos. Diferentemente do Brasil, os EUA permitem o voto pelo correio, além de outras modalidades de votação. As regras variam entre os Estados, responsáveis por organizar as eleições, geralmente por meio de autoridades locais. Não existe no país um órgão central responsável pelo pleito, como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As modalidades de votação podem se sobrepor. Um voto em ausência, por exemplo, pode ser enviado pelo correio e também integrar as estatísticas de votação antecipada, caso seja recebido antes do dia da eleição. As denominações e os procedimentos variam conforme a legislação estadual. Entenda como funcionam as regras de votação nos EUA: Voto ausente O voto em ausência ou voto ausente ("absentee voting") foi criado para permitir que pessoas impossibilitadas de comparecer às urnas no dia da eleição votassem à distância. Normalmente, esse eleitor solicita uma cédula eleitoral, preenche o documento e o devolve às autoridades eleitorais. As regras de devolução variam por Estado. A cédula pode ser enviada pelo correio ou, dependendo das regras estaduais, entregue pessoalmente ou depositada em urnas de coleta instaladas em locais autorizados. Há duas formas principais de solicitar o voto em ausência. Em uma delas, o eleitor precisa apresentar uma justificativa, como a ausência no município de residência no dia da votação ou questões de saúde, como doenças ou deficiências. Na outra, qualquer eleitor pode requerer a cédula sem precisar explicar às autoridades eleitorais por que deseja votar dessa maneira. Segundo a National Conference of State Legislatures (NCSL), uma organização bipartidária que representa os legisladores estaduais dos EUA, 29 dos 50 Estados americanos permitem o voto em ausência sem necessidade de justificativa. Outros 13 exigem que o eleitor apresente uma razão para recorrer à modalidade. Nos oito Estados restantes, as cédulas são enviadas automaticamente aos eleitores registrados, sem necessidade de solicitação. Embora seja frequentemente associado ao voto pelo correio, o voto em ausência também pode ser realizado presencialmente, antes do dia da eleição, em determinados Estados. Voto antecipado presencial O voto antecipado presencial ("early in-person voting"), conhecido também como "early voting", permite que os eleitores compareçam aos locais de votação antes do dia oficial da eleição, que ocorre na terça-feira seguinte à primeira segunda-feira de novembro. Nesta modalidade, o eleitor vota durante um período estabelecido pelas autoridades, depositando sua cédula nas urnas ou utilizando o equipamento eleitoral disponível. Para estas eleições de meio de mandato, 47 Estados e a capital americana, Washington, oferecem alguma modalidade de voto antecipado presencial a todos os eleitores, segundo a NCSL. Apenas Alabama, Mississippi e New Hampshire não disponibilizam essa opção universalmente aos eleitores registrados. Alguns Estados utilizam a denominação "in-person absentee voting" (voto em ausência presencial). Nesses casos, o eleitor comparece a um escritório da autoridade eleitoral, preenche uma cédula de voto em ausência e a entrega em um envelope identificado. Embora o procedimento seja diferente do voto antecipado convencional, a experiência para o eleitor é semelhante. O termo "voto antecipado" também é utilizado de maneira mais ampla para se referir aos votos registrados antes do dia da eleição, incluindo aqueles enviados pelo correio. Por isso, os levantamentos sobre a participação antecipada podem reunir tanto os votos presenciais quanto os recebidos à distância. Voto pelo correio O voto pelo correio ("mail voting" ou "mail-in voting") permite aos americanos preencher suas cédulas eleitorais fora dos locais de votação e devolvê-las às autoridades. Não se trata necessariamente de uma modalidade distinta do voto em ausência: em muitos Estados, os dois termos descrevem o mesmo procedimento, no qual o eleitor recebe uma cédula para votar à distância. A principal diferença entre os Estados está na forma como essas cédulas são disponibilizadas. Em alguns, o eleitor precisa solicitá-las, com ou sem justificativa. Em outros, o envio é automático. Em oito Estados e em Washington, a capital americana, as cédulas são enviadas automaticamente aos eleitores registrados e ativos, sem necessidade de solicitação. São eles: Califórnia, Colorado, Havaí, Nevada, Oregon, Utah, Vermont e Washington. Esses Estados também oferecem opções de voto presencial. Os prazos para a chegada das cédulas também variam. Em 35 Estados, as cédulas enviadas pelo correio devem chegar até o dia da eleição, na terça-feira. Os demais adotam regras diferentes. Há casos, por exemplo, em que as autoridades aceitam cédulas recebidas depois do dia da eleição, desde que atendam às exigências legais, como uma data-limite de postagem. Apesar do nome, as cédulas não precisam necessariamente ser devolvidas às autoridades eleitorais pelos Correios. Elas também podem ser entregues em locais autorizados ou em urnas de coleta. Eleitor insere cédula de votação em urna no Estado de Ohio Shannon Stapleton/Reuters Segurança eleitoral e ataques de Trump Trump tem feito do voto pelo correio um alvo frequente de críticas, alegando, sem apresentar evidências de fraudes generalizadas, que o sistema é vulnerável a irregularidades. O republicano, porém, já utilizou essa modalidade em diversas ocasiões, inclusive nas eleições presidências de 2020, quando foi derrotado pelo democrata Joe Biden, e em março deste ano, nas primárias da Flórida. Apesar das críticas, os Estados adotam diferentes mecanismos de segurança para verificar a autenticidade dos votos e evitar fraudes. Um deles é a conferência das assinaturas dos eleitores nos envelopes das cédulas enviadas pelo correio, que são comparadas com os registros eleitorais. Alguns Estados também exigem informações adicionais, como números de documentos de identificação ou assinaturas de testemunhas. Caso sejam identificadas irregularidades, a cédula pode ser rejeitada. Em 35 Estados e em Washington, porém, os eleitores têm a oportunidade de corrigir problemas, como assinaturas ausentes ou divergentes, dentro de prazos estabelecidos pelas autoridades eleitorais. Outro mecanismo é o uso de códigos de barras exclusivos nos envelopes de devolução das cédulas, adotado por diversas autoridades eleitorais. Esses códigos permitem identificar o eleitor e registrar o recebimento do voto. Em alguns Estados, é possível acompanhar o trajeto da correspondência e verificar se a cédula foi aceita. O rastreamento não compromete o sigilo da votação, já que os votos são separados das informações pessoais dos eleitores antes da contagem. As autoridades também mantêm registros para impedir que uma mesma pessoa vote duas vezes, por exemplo, pelo correio e presencialmente. Quando há dúvidas sobre a situação do eleitor, o voto pode ficar separado dos demais até que sua regularidade seja confirmada. Além disso, os 50 Estados e Washington realizam algum tipo de auditoria após as eleições, que pode incluir a conferência manual das cédulas de papel para verificar se os resultados correspondem aos registrados pelos equipamentos eletrônicos.

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