Foto: Canal Rural/ Interligados - Vida no Campo Crescer no campo, acompanhar o trabalho dos pais e aprender desde cedo a lidar com a terra fizeram parte da infância de Paulo César Bueno. Nascido em uma família de produtores rurais de Juruaia, no interior de Minas Gerais, ele chegou a pensar em deixar a vida na roça, mas decidiu seguir os passos dos pais e encontrou na criação de frangos uma oportunidade de diversificar os negócios da propriedade. Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News! Há 16 anos na avicultura, Paulo César mantém a atividade ao lado da produção de café, que atravessa gerações na família. Agora, prepara a construção de um novo aviário, com investimento em tecnologia e ampliação da capacidade produtiva. Da infância na roça à decisão de diversificar Filho dos produtores Jurandir e Helena Bueno, Paulo César cresceu acompanhando a rotina da propriedade rural. O contato com máquinas agrícolas e o trabalho nas lavouras despertaram seu interesse pelo campo ainda na infância. Apesar dessa ligação, houve um momento em que pensou em buscar oportunidades fora da atividade rural. “Teve um determinado tempo que eu quis ir pra cidade, porque a roça antigamente era um serviço muito braçal, era um serviço mais custoso. Hoje já é bem mais fácil”, recorda. Depois de concluir os estudos e cursar faculdade, ele decidiu retornar à propriedade e investir em novas tecnologias. Foi nesse período que começou a considerar a avicultura como alternativa para ampliar as fontes de receita. A ideia surgiu de um aprendizado adquirido durante a formação acadêmica: a importância de não depender de uma única atividade. “Na faculdade, eu sempre estudei e teve a ideia de que, para ter uma estabilidade boa na roça, você tem que ter pelo menos três fontes de renda”, conta. Na época, Paulo César trabalhava com café, enquanto o pai conciliava a cafeicultura com a pecuária. Embora compartilhassem parte da estrutura de beneficiamento, cada um mantinha suas próprias lavouras. “Minha renda era só do café, e aí eu queria diversificar. Comecei pesquisando, procurando informação para saber como funcionava. Teve uma época que estavam expandindo aqui em Juruaia e eu resolvi abrir a primeira granja”, explica. A decisão contou com o apoio dos pais, que preferiram dar liberdade ao filho para buscar novos caminhos. “Eu deixei ele à vontade. A gente não pode ficar mudando a ideia da pessoa. Se está com vontade de fazer uma coisa, deixa fazer”, afirma Jurandir. Uma história familiar construída no campo A ligação da família Bueno com Juruaia começou muito antes da implantação dos aviários. Jurandir conta que seus avós já viviam na região. Após algumas mudanças de endereço, a família retornou ao município mineiro, onde manteve suas atividades rurais. Foi também no campo que ele conheceu Helena, sua esposa há cerca de 45 anos. Os dois se conheceram ainda jovens, quando as famílias moravam próximas. Depois de um período afastados, voltaram a se encontrar, retomaram a amizade e iniciaram o relacionamento. A vida em família passou a ser construída em torno do trabalho rural e da busca por melhores condições de vida. “Nós sempre lutamos para melhorar as coisas. Sempre conseguimos, graças a Deus”, relata Helena. Segundo ela, a propriedade passou por diversas transformações ao longo dos anos. “Aqui estava abandonado. A gente foi arrumando e está como está hoje. Eu gosto muito daqui. É tranquilo”, conta. A dedicação dos pais também se tornou uma das principais referências para Paulo César, que atribui parte das conquistas ao esforço das gerações anteriores. “Acho que é a responsabilidade de fazer um serviço bem feito, a honestidade de sempre fazer o que tem que ser feito, o que é correto, nunca fugir da responsabilidade”, afirma, ao falar sobre os ensinamentos recebidos. O produtor também reconhece a importância da estrutura construída pelos pais para que pudesse iniciar sua própria atividade. “Eu tenho a granja, mas devo muito a eles também, que batalharam, compraram as terras. Então, devo muito a eles.” Primeiros lotes de frangos trouxeram dificuldades Mesmo depois de pesquisar sobre avicultura, Paulo César descobriu que a rotina de uma granja exigia mais conhecimento prático do que imaginava. O primeiro alojamento de pintinhos ficou marcado pelas dificuldades de adaptação à nova atividade. “Para confessar, o primeiro lote foi meio difícil. Pegou meio no susto. Eu já tinha pesquisado, mas na prática é diferente”, recorda. Entre as principais dificuldades estavam o aquecimento do aviário, a preparação da estrutura para receber os animais e o acompanhamento dos pintinhos. “Na hora que chegaram os primeiros pintinhos, fomos aquecer a granja e montar a pinteira. Eu achei que era mais fácil um pouco”, lembra. Com o passar dos anos, a experiência e a adoção de tecnologias ajudaram a aperfeiçoar os processos produtivos. Atualmente, segundo Paulo César, cada lote permanece na granja por aproximadamente 26 a 28 dias. Depois da saída das aves, há um intervalo de cerca de 15 dias, destinado ao vazio sanitário, à limpeza, à desinfecção e à preparação da instalação para o próximo alojamento. A rotina exige acompanhamento constante, principalmente para garantir condições adequadas aos animais. A esposa do produtor, que passou a acompanhar mais de perto a atividade depois que a família se mudou para o campo, há aproximadamente três anos, destaca a intensidade do trabalho. “É um trabalho que tem que estar em cima, acompanhando o tempo todo. Os pintinhos, desde a entrada deles, o aquecimento. Então, é bem trabalhoso”, relata. Temporal destruiu telhado de granja Ao longo dos 16 anos na avicultura, um dos maiores desafios enfrentados por Paulo César foi um temporal acompanhado de granizo que atingiu a propriedade. O episódio, que o produtor acredita ter ocorrido em 2022, provocou danos significativos à estrutura de um dos aviários. “Passou uma chuva muito forte, misericórdia. Quebrou o telhado da granja na chuva de pedra. Eu tive que trocar o telhado da granja todo”, relembra. Apesar do prejuízo material, o temporal aconteceu durante o intervalo entre lotes, quando não havia aves alojadas. A ausência dos animais evitou consequências mais graves para a produção. Mesmo com a necessidade de reconstrução, a família conseguiu recuperar a estrutura e dar continuidade à atividade. Tecnologia e parceria ajudam a melhorar resultados A profissionalização da avicultura também aparece nos indicadores técnicos da propriedade. Segundo William Biscasse, extensionista da unidade de Passos da JBS, a granja apresentou evolução nos resultados zootécnicos nos últimos anos. O profissional acompanha a família Bueno há aproximadamente três anos e meio e destaca o desempenho alcançado em avaliações técnicas. “Em 2024, nós ficamos em sétimo no Superagro e, em 2025, fomos o terceiro em resultado zootécnico, calo de pata”, afirma. De acordo com ele, a evolução está relacionada ao acompanhamento técnico, à manutenção dos equipamentos e ao envolvimento das pessoas responsáveis pela rotina da granja. Um dos diferenciais apontados pelo extensionista é a relação de confiança entre o produtor, os profissionais da assistência técnica e os trabalhadores. “O principal destaque aqui na propriedade da família Bueno é que ele nos deixa trabalhar totalmente. Manutenção, ele faz em dia. Busca por equipamento, ele faz em dia, se precisar. Então, ele nos deixa trabalhar aqui, e o resultado aparece no final”, explica. William também ressalta o trabalho do grangeiro Ezequiel, responsável por parte da condução diária da atividade. “O que mais chama atenção é a confiança que ele tem na gente, não só na assistência, mas na mão de obra que ele tem. O Ezequiel é um grangeiro, sim, mas é um parceiro dele.” Para Paulo César, encontrar profissionais comprometidos é um dos desafios atuais da produção rural. “Hoje está muito difícil a parte de mão de obra, porque está faltando gente responsável, gente que veste a camisa mesmo”, observa. Por outro lado, ele acredita que estabelecer relações de parceria ajuda a melhorar o comprometimento com os resultados. “Quando a pessoa se sente mais dona do negócio, ela vai fazer mais bem feito”, avalia. Novo aviário amplia perspectivas para a família Com a atividade consolidada, Paulo César prepara uma nova etapa de expansão. Atualmente, a propriedade possui um galpão de pressão positiva, com sistema de ventilação, que aloja aproximadamente 29 mil aves. O próximo investimento prevê a construção de um aviário totalmente climatizado, com dimensões de 18 metros de largura por 180 metros de comprimento e capacidade informada de 27 mil aves. O novo empreendimento representa um avanço na modernização da estrutura produtiva. Segundo William Biscasse, parte das condições necessárias para a construção já está sendo organizada. “A parte de energia já está em ordem. A parte de água, a gente vai procurar furar um poço para que seja abastecida a nossa demanda. Gerador também já está no papel para colocar”, explica. A família também pretende ampliar a utilização de painéis fotovoltaicos, buscando atender às necessidades energéticas da estrutura. O investimento representa mais um passo na estratégia de crescimento iniciada quando Paulo César decidiu diversificar a produção de café com a avicultura. “É muito gratificante ver que a gente conseguiu começar com a granja e dar certo com uma atividade diferente, que não fazia parte da minha família”, afirma. O futuro da propriedade e o legado para os filhos Embora o crescimento da avicultura seja uma conquista importante, Paulo César considera que o principal resultado de sua trajetória vai além da produção. Para ele, construir uma atividade própria sem perder a ligação com os pais e com a história da família representa uma realização pessoal. “É muito gratificante ver que a gente conseguiu começar com a granja e dar certo com uma atividade diferente.” A continuidade desse trabalho pelas próximas gerações, no entanto, não é tratada como uma obrigação. Assim como recebeu liberdade para escolher seu caminho profissional, Paulo César pretende respeitar as decisões dos filhos. “A gente ensina, dá exemplo, vive essa vida e deixa a liberdade deles. Se quiserem seguir, tudo bem, igual a gente seguiu. Mas, se acharem que têm outra coisa melhor, também têm a liberdade”, afirma. A esposa acredita que a convivência com a rotina rural pode despertar nos filhos o interesse pela atividade. “Depois que a gente veio morar no campo, acho que eles começaram a admirar mais a vida do campo, vendo o pai deles trabalhando no dia a dia”, conta. Para Jurandir, preservar a propriedade também significa manter viva a história construída pela família. “Vai ficar um sítio para eles mexerem, se quiserem. A gente não sabe a ideia deles. Mas deixa o sítio para eles. Não tenho vontade de vender, não.” Entre o café, a pecuária e a criação de frangos, a família Bueno encontrou maneiras de transformar a propriedade sem abandonar suas origens. Agora, com a ampliação dos aviários e a possibilidade de novas gerações participarem do negócio, a família busca conciliar tradição, tecnologia e continuidade no campo. O post Família troca café por criação de frangos e investe em tecnologia para ampliar negócios apareceu primeiro em Canal Rural.
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